Economia

Interesse dos CEOs pelo Brasil despenca, diz pesquisa da PwC

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Com inflação de dois dígitos e dúvidas no mercado sobre os rumos das políticas fiscais, o Brasil iniciou o ano de eleições presidenciais atraindo menos interesse dos executivos globais em fazer negócios.

O país caiu mais duas posições e agora é apenas o 10º mais citado por CEOs de todo o mundo ao apontar os principais mercados estratégicos para suas empresas em um horizonte de 12 meses, segundo pesquisa anual divulgada pela consultoria e auditoria empresa PwC (anteriormente Pricewaterhouse Coopers).

A pesquisa é considerada um pontapé inicial para as discussões no Fórum Econômico Mundial, em Davos, cuja reunião foi cancelada pelo segundo ano consecutivo por causa da pandemia e acontecerá virtualmente.

A pesquisa, que desta vez ouviu 4.400 executivos em 89 países, é um barômetro das expectativas empresariais para a economia global no início de cada ano.

Entre 2011 e 2013, o Brasil alcançou o terceiro lugar como principal mercado de interesse, logo após Estados Unidos e China, que permanecem como os países mais importantes. Desde então, caiu uma posição a cada ano no ranking – com exceção de 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro.

De 2021 a 2022, foi ultrapassado pela Austrália e Canadá, sendo mencionado por apenas 4% dos executivos e indo para o 10º lugar. Cada CEO cita três mercados.

“As pessoas estão esperando para ver o Brasil”, disse Marco Castro, chefe da PwC Brasil, referindo-se às incertezas trazidas pelas eleições. Além das eleições, no entanto, ele vê danos agravados na última década, incluindo falta de crescimento econômico robusto, ambiente de negócios complicado, complexidade tributária e reputação negativa na frente ambiental.

A percepção de cautela com o Brasil aparece em outros indicadores da pesquisa. Indica que 77% dos CEOs acreditam em uma aceleração da economia mundial em 2022 – a maior em 10 anos. Para a PwC, o andamento da vacinação e a perspectiva de retorno à normalidade justificam a visão otimista.

Os executivos brasileiros apresentam o mesmo percentual (77%) de percepção positiva sobre a economia global, mas as diferenças surgem nas respostas sobre o crescimento no próprio país dos respondentes.

Entre os CEOs no Brasil, 55% acreditam que a economia vai acelerar. A visão otimista sobe para 71% nos Estados Unidos e na Alemanha, 73% no Reino Unido, 74% na China e 85% no Japão.

O Brasil também se destaca quando os executivos são questionados sobre os principais riscos em seu radar. Em todo o mundo, pela primeira vez, os riscos cibernéticos (49%) aparecem à frente de qualquer outra preocupação – até mesmo riscos à saúde e mudanças climáticas, dois destaques em edições anteriores da pesquisa da PwC.

No ano passado, episódios como o ataque de hackers à operadora de gasodutos Colonial Pipeline, interrompendo parte do abastecimento de combustível no sudeste dos Estados Unidos, ganharam visibilidade. Uma seguradora com sede nos EUA pagou US$ 40 milhões em resgate para recuperar dados de seus sistemas após um hack.

No Brasil, as operações da empresa de turismo CVC também foram prejudicadas por 12 dias após um ataque de hackers. No início de 2021, um vazamento de dados supostamente vindo da agência de crédito Serasa Experian expôs dados pessoais de quase toda a população do país.

Os riscos cibernéticos foram apontados como a principal ameaça em 2022 por 50% dos executivos brasileiros e ficaram em segundo lugar entre as maiores preocupações.

Eles foram superados apenas pela instabilidade macroeconômica (69% aqui e 43% na média mundial). Marco Castro, da PwC Brasil, lembrou que o país continua sendo um mercado em expansão e com alto potencial para atrair investimentos.

Em ano eleitoral, ele entende que os executivos globais ficarão mais tranquilos se as propostas dos candidatos reforçarem a segurança jurídica, eliminarem pontos considerados heterodoxos e reforçarem o ambiente de respeito às instituições.

“Quanto mais transparência houver em todo esse processo, melhor”, disse ele.

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