Economia

Inflação oficial termina 2021 bem acima da meta do Banco Central

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A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano passado em 10,06%, a maior desde os 10,67% observados em 2015 e muito acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 3,75%. Os dados divulgados pelo IBGE mostram não apenas uma inflação acelerada em 2021, mas também um resultado preocupante para o custo de vida em dezembro, com pressões generalizadas. Produtos industriais, serviços e alimentos tiveram alta expressiva. O IPCA subiu 0,73% no último mês do ano, acima do consenso de mercado de 0,65%.

Um índice que mede o percentual de itens em alta no mês subiu em dezembro, atingindo 74,8%, bem acima dos 63,1% observados em novembro, segundo a MCM Consultores Associados. É a maior desde fevereiro de 2016, quando a medida chegou a 77,2%.

O comportamento dos núcleos de inflação, que buscam reduzir ou eliminar a influência de itens mais voláteis, também trouxe más notícias. A média dos cinco núcleos monitorados pelo Banco Central subiu para 0,9% em dezembro ante 0,61% em novembro, fazendo com que a inflação acumulada em 12 meses acelere para 7,42% ante 7,16%, informou o MCM. Em suma, as medidas que visam mostrar com mais precisão a trajetória da inflação ficaram bem acima do topo da meta para 2021, de 5,25%.

A inflação de serviços também acelerou para 0,79% em dezembro, ante 0,27% em novembro. O resultado também foi ruim mesmo nos serviços subjacentes à inflação, que exclui turismo, comunicação, cursos e serviços domésticos, com foco em itens mais sensíveis ao ciclo econômico. Essa medida subiu 0,8% em dezembro, ante 0,42% em novembro. Em 12 meses, a variação saltou de 5,45% para 5,91%, mostram dados do MCM.

A inflação de bens industriais segue acelerada, refletindo o real enfraquecido e a falta de insumos, decorrentes de problemas nas cadeias produtivas globais. A variação mensal desses produtos subiu para 1,41% em dezembro ante 0,98% em novembro. Em 12 meses, a inflação desses bens passou de 11,44% para 12%, segundo o MCM.

A tarefa do Banco Central de reduzir a inflação será difícil, especialmente porque o real continua muito mais desvalorizado do que indicam a solidez das contas externas e a crescente diferença entre as taxas de juros internas e externas. Desde março, a Selic, taxa básica de juros do Brasil, já subiu de 2% para 9,25% ao ano, e deve continuar subindo no início deste ano – pode chegar perto de 12% ao final do ciclo de aperto.

Mesmo assim, o câmbio segue em torno de R$ 5,60 a R$ 5,70 por dólar em um cenário de altas incertezas fiscais e políticas. Uma taxa de câmbio menos depreciada permitiria aumentos menos intensos em combustíveis e bens industriais, por exemplo. Em 2021, os preços da gasolina subiram 47,49%, refletindo a forte alta dos preços do petróleo e o real enfraquecido.

Para complicar as coisas, a perspectiva de uma alta mais cedo do que o esperado nas taxas de juros norte-americanas pressiona ainda mais as moedas de países emergentes como o Brasil. Nesse ambiente, a inflação deverá encerrar 2022 acima do topo do intervalo deste ano, de 5%, apesar da atividade econômica fraca e de um PIB que pode até encolher.

O retorno aos rumos das metas perseguidas pelo Banco Central deverá ocorrer apenas em 2023, exigindo a manutenção de juros elevados por mais tempo. A meta de 2022 é de 3,5% e a meta de 2023 de 3,25%.

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