Economia

Inflação atrapalha vendas de eletroeletrônicos, eletrodomésticos

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A alta dos preços está afetando as vendas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Em agosto, o volume de televisores vendidos no Brasil caiu 28,7% em relação a julho, enquanto o número de laptops vendidos caiu 13,8%, segundo dados da empresa de análises de mercado GfK. Também há queda em relação a agosto do ano passado, para as duas categorias.

Na direção oposta, os preços ao consumidor continuam subindo. Algumas linhas de produtos sofreram altas frequentes desde o ano passado, o que naturalmente desestimula a demanda. Nos últimos 12 meses, os aparelhos de TV custaram 30% a mais, os notebooks tiveram um aumento de 40% e os smartphones aumentaram 30%.

Já nos refrigeradores – embora o patamar de vendas seja superior ao de agosto de 2020, em 14,8% – a comparação com julho deste ano mostra queda de 22,5%. Os preços desse tipo de produto subiram 13% nos 12 meses até agosto, segundo a GfK.

Neste ano, os fabricantes do setor esperam equilibrar as vendas na Black Friday, dia 26 de novembro. Mas o desafio é maior diante da alta nos preços e da queda do poder de compra no Brasil.

Desde o início da pandemia, há 19 meses, os preços dos produtos da linha branca foram reajustados quatro vezes, dizem as fontes. A pressão vem principalmente do câmbio, que encarece as importações, e do frete marítimo.

Os varejistas projetam aumentar as vendas em um único dígito na temporada de compras deste ano, que inclui a Black Friday e feriados. A expectativa dos fabricantes “é pelo menos igualar o faturamento [da Black Friday] 2020, ainda sem recuperar as vendas de 2019”, prevê José Jorge Junior, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Elétricos e Eletrônicos (Eletros). “Os preços têm sido nosso maior obstáculo para termos níveis de vendas tão altos como em 2020.”

No e-commerce, a Black Friday 2020 teve 6 milhões de pedidos e R $ 4,2 bilhões em vendas, considerando todas as categorias de produtos. Os números superam em 25,1% o faturamento e 15,5% o volume de unidades vendidas em 2019, informa o eBit Nielsen.

No segmento de linha branca, as unidades vendidas na Black Friday do ano passado ficaram 1% abaixo do volume de 2019, segundo a Eletros. Já nos produtos marrom, como televisores, o mercado ficou estagnado, com queda de 0,1% nas unidades vendidas em relação ao ano anterior. O pior resultado foi verificado pelos aparelhos portáteis, que tiveram uma contração de 10% nas unidades vendidas no período.

O problema é que “o consumidor não tem dinheiro”, diz Ricardo Moura, diretor de inteligência de mercado da Gfk no Brasil, apesar dos esforços da indústria e do varejo para absorver o repasse dos custos ao consumidor e reduzir as margens de lucro.

A inflação acumulada em 12 meses atingiu 8,99% em agosto.

Outro ponto desfavorável neste ano foi o aumento da demanda emergencial por eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a partir do segundo trimestre do ano passado, para melhorar a casa em meio a medidas de distanciamento social.

O Sr. Jorge Júnior considera que “ainda há um mercado de 213 milhões de habitantes a ser explorado”.

Diante da queda de 30% nas vendas de televisores desde julho, a TPV, multinacional chinesa que fabrica televisores Philips e monitores AOC em Manaus, espera equilibrar as vendas no segundo semestre na Black Friday, disse Eduardo Brunoro, geral diretor da empresa.

Neste ano, a TPV manterá o mesmo volume de produção de 2020, em até 13 milhões de telas. “Estávamos planejando produzir um pouco mais, mas na segunda metade do ano vimos uma queda na demanda e isso está muito ligado à economia”, diz Brunoro.

O executivo diz que negociar preços com o varejo tem sido muito difícil devido ao aumento do custo das telas de LCD – escassas no mercado global. Na negociação com os parceiros varejistas, a TPV conseguiu repassar 70% do aumento dos custos de produção.

Em outubro, a TPV lançará televisores com telas de 50 a 75 polegadas, com o lançamento do sistema operacional Android, do Google, voltado para consumidores mais abastados, e uma linha de monitores para gamers com telas maiores. “O mercado atuará fortemente na atualização dos tamanhos das telas”, afirma Brunoro.

Alguns fabricantes e distribuidoras, porém, estão mais otimistas.

Apesar do aumento de 10% nos preços dos produtos importados da China, a Usina de Vendas, que distribui smartphones e dispositivos vestíveis como smartwatches, espera vender 520 mil aparelhos até o final do ano, alta de 55,2% em relação a 2020. “O mercado poderia ser melhor, mas ainda não podemos reclamar da projeção de crescimento ”, disse o CEO Marco Antonio Palma.

Para amortecer o impacto dos altos custos de importação, o distribuidor mudou do frete aéreo para o marítimo durante a pandemia. Mesmo com o poder aquisitivo reduzido, o consumidor que volta à vida normal tende a comprar um novo smartphone, segundo Palma. “Mesmo com a atividade econômica estagnada, muitas pessoas estão pensando em trocar seus aparelhos porque eles voltam a circular”, afirma.

Diante dos estoques enxutos, em grande parte devido à falta de componentes e ao aumento da demanda desde o início da pandemia, fabricantes e varejistas devem optar por apostar no apelo da Black Friday ou esperar uma melhora no poder de compra até o Natal, observa Sr. Moura, da GfK. “Essa é a decisão deles”, diz ele. “Não há produtos suficientes para as duas datas.”

O diretor do TPV acredita que eles vão escolher a Black Friday, como tem feito nos últimos três anos. “O Brasil já absorveu a cultura da Black Friday para o autossuficiente e o Natal ficou para a compra de presentes.”

A Panasonic depende de eletrodomésticos que consomem menos energia para atrair consumidores, em meio à crise hídrica no país. “Acredito que o mercado deve encolher por causa da inflação altíssima e da taxa de desemprego ainda elevada”, avalia Sergei Epof, diretor de linha branca da Panasonic. “Porém, entendemos que existe uma oportunidade de vendas devido à redução do consumo de energia”, acrescentou.

Antecipando-se às vendas de final de ano, a Panasonic manteve o plano de aumentar em mais de 10% a produção anual de geladeiras e lavadoras da fábrica de Extrema, em Minas Gerais.

Para fazer face ao aumento dos preços dos insumos, que chegou a 150% no aço, a empresa incluiu materiais recicláveis ​​e sobras de plástico nas embalagens e tampa inferior dos produtos. “São materiais sem finalidade estática ou que não possuem função mecânica”, explica o Sr. Epof.

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