Empregos

Ibovespa opera estável com piora do exterior, dólar opera a R$ 4,14

Após o estresse da última sexta-feira e de uma abertura mais pessimista nesta jornada, o Ibovespa opera estável. O índice segue pressionado principalmente pelo cenário externo ainda bastante incerto, com destaque para os enfrentamentos em Hong Kong e a disputa comercial entre Estados Unidos e China. Em nível doméstico brasileiro, o risco da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar se dissipando.

Às 13h40, o Ibovespa subia 0,03%, aos 107.657 pontos. Entre as mínimas e as máximas, foi de 106.814 pontos a 107.787 pontos, enquanto o giro financeiro somava, no mesmo horário, R$ 4,3 bilhões. O valor é baixo para o horário e dá dimensão do sentimento de cautela do mercado.

No exterior, as principais bolsas operam em queda, sofrendo os impactos do vaivém das negociações entre Washington e Pequim. No Brasil, analistas consideram que o mercado vai refletindo e entendendo, aos poucos, que a libertação de Lula ainda não oferece riscos evidentes e imediatos aos negócios.

Vale ON (-2,28%) e os demais papéis ligados ao setor siderúrgico exercem especial pressão sob o Ibovespa: Gerdau PN (-0,72%), Gerdau Metalúrgica PN (-0,85%), Usiminas PNA (-1,50%) e CSN ON (-1,22%).

A Vale – que ocupa o segundo lugar entre os papéis mais negociados de todo o mercado à vista – reduziu hoje a projeção para produção de cobre e a projeção de vendas de minério de ferro e pelotas para 2019.

Câmbio

A forte desvalorização do real na semana passada, influenciada pela frustração com a cessão onerosa, entre outros pontos, abriu espaço para um movimento de ajustes neste pregão. Por volta das 13h40, a moeda americana operava em queda de 0,47%, aos R$ 4,1471.

O movimento ocorre apesar do cenário mais desafiador para ativos emergentes no exterior. No mesmo horário, o dólar subia contra o peso mexicano, na comparação com a lira turca e frente ao peso chileno.

Cleber Alessie Machado, operador da H. Commcor, nota que a pouca variação desde o fechamento da semana passada denota falta de gatilhos para o movimento de hoje. Ele ressalta que a soltura do ex-presidente na sexta-feira apenas amplificou um movimento cuja direção havia sido dada anteriormente pela frustração com a cessão onerosa.

Juros

Os riscos políticos em torno da libertação de Lula se mantiveram no foco dos agentes do mercado, em um dia de liquidez reduzida devido ao feriado do Dia do Veterano nos Estados Unidos, que deixou o mercado de Treasuries fechado. Dado esse pano de fundo, os juros futuros operaram alinhados ao comportamento do câmbio, que mostrou correção após a forte alta do dólar observada na sexta-feira.

Pouco depois das 13h40 a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caía de 4,55% no ajuste anterior para 4,51%; a do DI para janeiro de 2022 cedia de 5,14% para 5,08%; a do contrato para janeiro de 2023 recuava de 5,66% para 5,60% e a do DI para janeiro de 2025 passava de 6,25% para 6,21%.

Enquanto o risco político é monitorado pelos agentes, as perspectivas para a política monetária continuam inalteradas. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC), a mediana das estimativas do mercado para o juro básico no fim deste ano foram mantidas inalteradas em 4,50%, enquanto o ponto médio das projeções para a Selic no fim de 2020 também permaneceram em 4,50%. Além disso, a mediana dos Top 5 de médio prazo continuou a indicar a taxa básica a 4% no fim do próximo ano.

“O Banco Central sinalizou a preferência por um cenário de juros baixos por período prolongado ao invés de uma aceleração do ciclo de queda, em meio às dúvidas sobre a capacidade de recuperação consistente da economia e à evolução das condições financeiras”, afirma a Itaú Asset Management em seu relatório mensal enviado a clientes. Dado esse cenário, a gestora optou por “subir a exposição aplicada [aposta em queda das taxas], também pela expectativa de melhor carregamento pela inflação no médio prazo”, com foco nos vértices 2021, 2022 e 2024.
Voltar ao Topo