Economia

Gastos sociais de Bolsonaro desafiam impulso de austeridade no Brasil

O maior desafio para o plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, de reimpor a austeridade no Brasil no ano que vem, vem de seu próprio chefe, que está pressionando por um novo e caro programa social projetado para solidificar seu apoio entre os pobres.

O presidente Jair Bolsonaro quer a iniciativa chamada Renda Brasil, ou Renda Brasil, para substituir a ajuda emergencial fornecida pelo governo durante a pandemia, incluindo salários mensais para trabalhadores informais que expiram até o final do ano.

Embora o plano esteja em discussão há semanas, agora está ficando claro que pode forçar o governo a abandonar uma regra de limite de gastos que os investidores consideram a última linha de defesa do país contra disparidades orçamentárias descontroladas.

Guedes está tentando encontrar os bilhões de dólares necessários para lançar Renda Brasil redirecionando recursos de programas sociais existentes, sem criar novos gastos, uma estratégia que requer aprovação do Congresso, se ele falhar, Bolsonaro e vários membros do gabinete vão querer que ele afrouxe os cordões da bolsa, de acordo com dois funcionários do governo com conhecimento do assunto.

Com isso forçaria o governo a repensar o teto de gastos, lei aprovada em 2016 que congela gastos públicos por duas décadas, embora muitas nações planejem sair da recessão, Guedes diz que o Brasil não pode se dar ao luxo de mais um ano de déficit fiscal recorde sem corroer a confiança dos investidores, o que pode levar a custos de financiamento mais altos e rebaixamentos na classificação de crédito.

No entanto, Guedes está se isolando em sua defesa do teto de gastos, disseram as autoridades, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a comentar publicamente.

Mesmo as demonstrações públicas de apoio de Bolsonaro aos planos fiscais de seu ministro tornaram-se mais erráticas recentemente.

Na quarta-feira (12), ele prometeu manter o teto de gastos em uma declaração conjunta com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Na noite da quinta-feira (13), no entanto, Bolsonaro disse que havia uma discussão dentro do governo sobre a violação desse teto, descrevendo-a como uma “luta saudável”.

Na manhã de sexta-feira (14), ele pareceu voltar atrás, escrevendo em uma postagem nas redes sociais que a responsabilidade fiscal e a regra do limite de gastos continuam a guiar seu governo.

Nos bastidores, o ministro está cada vez mais sozinho no que diz respeito à austeridade, disse o deputado Pedro Paulo, que coordena um grupo parlamentar para propostas de renda mínima, em entrevista, Paulo disse ver uma chance de o governo contornar a regra de limite de gastos para estender a ajuda de emergência até que a Renda Brasil esteja pronta para ser lançada.

Guedes não desistiu da luta, porém, ele está negociando com legisladores uma forma de agilizar projetos de lei que desencadeiem medidas automáticas de poupança, como a suspensão da contratação de servidores públicos e o congelamento de salários, sempre que houver desequilíbrio orçamentário, segundo outras duas pessoas que também falaram na condição de anonimato, o ministro da economia não quis comentar.

Com Informações Bloomberg

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