Economia

Fundos de pensão ficam aquém das metas mínimas em 2021

Ações pensão

A queda do mercado de ações, por um lado, e a inflação mais rápida em 2021, por outro, prejudicaram o desempenho dos fundos de pensão no ano passado. Como resultado, é improvável que a maioria deles atinja suas metas mínimas, mostra um estudo da consultoria Aditus.

Da base de clientes da Aditus, que inclui fundações com R$ 300 bilhões em ativos, apenas 6% atingiram suas metas até novembro. A instabilidade do mercado impactou as maiores fundações do Brasil, incluindo Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobras).

Os dados oficiais do ano ainda não foram fechados. Até outubro, o déficit da Previ atingiu R$ 2,3 bilhões, mas o resultado positivo de R$ 407 milhões em novembro ajudou a reduzir as perdas para R$ 1,8 bilhão no Plano 1, de benefício definido. Houve valorização de 5,46% nos investimentos do plano no ano, ante a meta de 14,11% nos primeiros 11 meses de 2021. A carteira multibilionária de ações da fundação pressionou os resultados. Foi o único segmento com perdas no ano até novembro, de 5,34%.

A fundação planeja mudar gradualmente os investimentos para títulos de ações em “momentos oportunos” e seguirá em frente. “Cerca de 20% já foram repassados, o que significa que alienamos investimentos em renda variável e assumimos posições de renda fixa com prazos compatíveis com a política de gestão ativo-passivo, mais em linha com o passivo da Previ, com taxa de remuneração compatível com o mínimo do Plano 1 alvo. Sem isso, nosso equilíbrio técnico estaria mais propenso à volatilidade”, disse a fundação em nota.

Os resultados dos planos de Petros também não atingiram as metas. As perdas no ano até novembro ficaram em torno de 5%, ante uma meta de 14%. “Embora os resultados tenham ficado aquém das metas, nossas carteiras apresentaram resultados satisfatórios em relação aos principais benchmarks”, disse Petros. Em nota, o fundo de pensão disse que os resultados das aplicações em ações até novembro apresentaram perdas menores do que o Ibovespa, índice de ações de referência do Brasil, que caiu 14,37% no período.

Além disso, considerando um horizonte mais longo de 36 meses, os resultados da Petros são positivos em 33,09%. Na mesma base de comparação, o CDI rendeu 14,54% e o Ibovespa 28,45%. A Petros acredita que detém um portfólio sólido, com a robustez necessária para enfrentar momentos turbulentos da economia e se recuperar de crises. Para diversificar ainda mais o portfólio, a fundação começou a investir no exterior em outubro do ano passado.

A meta básica é calculada para os planos de benefício definido e de contribuição variável. Ambos determinam os pagamentos de renda vitalícia. Para isso, os cálculos devem levar em consideração o tamanho do passivo, ou a necessidade de pagamento de benefícios e a valorização que os ativos devem ter para cumprir as obrigações. Em geral, consideram uma taxa básica calculada pela Secretaria Nacional de Previdência Complementar (Previc) e um índice de inflação. Existem regras que determinam a necessidade de ajustes de acordo com o tamanho e a sequência dos resultados negativos.

Guilherme Benites — Foto: Claudio Belli/Valor

Guilherme Benites — Foto: Claudio Belli/Valor

Guilherme Benites, sócio da consultoria, projeta que as metas para o ano ficarão em torno de 15% e a rentabilidade média em 8% em 2021. No início do ano passado, o mercado em geral estava otimista, esperando juros mais baixos para um período mais longo e alguma recuperação econômica após um 2020 conturbado. Como resultado, as fundações adotaram políticas de investimento mais agressivas. A estratégia acabou não se concretizando. “O ano não permitiu que o plano de fazer alocações mais sofisticadas se materializasse”, disse Benites. Este ano é improvável que traga mudanças relevantes.

Dados da Abrapp, associação que representa o setor, mostram que, entre as fundações que tiveram déficit, o resultado negativo combinado é superior a R$ 50 bilhões. Já os fundos de pensão com superávit somam R$ 21 bilhões, segundo os dados. O cenário deve continuar complicado pelo menos no primeiro semestre do ano devido à situação econômica, incertezas políticas e omicron, disse o presidente da Abrapp, Luis Ricardo Martins.

“É um momento de forte oscilação impulsionado por fatores mais amplos”, disse. A Abrapp apresentou propostas à Previc e ao Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) para buscar o congelamento de eventuais déficits apurados em 2022 e começará a calculá-los apenas no ano que vem. “Considerando que é algo pontual, cíclico, e as oscilações têm sido muito agressivas, as gestões profissionais vão buscar medidas de recuperação”, disse. Medida semelhante chegou a ser cogitada em 2020, no auge da crise nos mercados por conta do coronavírus. Com a rápida recuperação, isso não se mostrou necessário.

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