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FPSO de Sépia terá apenas dois módulos brasileiros

O FPSO Carioca, que será instalado no campo de Sépia, deve ter apenas dois módulos fabricados e integrados no Brasil: os skids de recuperação de vapor e do sistema do flare. No pacote do Brasfels, que realizará os trabalhos em Angra dos Reis (RJ), havia a opção para construir ainda a torre do flare, mas a Modec não confirmou se ela será exercida.

O escopo final corresponde ao previsto em uma segunda cotação feita pela Modec junto a integradores brasileiros. Na primeira, a empresa havia incluído ainda dois módulos de separação de baixa pressão e um skid médio de resfriamento opcional, mas o processo não foi adiante.

A expectativa é que o volume de obras contratadas no Brasil para o FPSO de Mero seja semelhante ao da plataforma de Sépia. “A Modec está concentrando em fechar o pacote [do FPSO de Mero] no exterior para lançar o brasileiro”, revelou uma fonte à Brasil Energia Petróleo.

Com isso, o conteúdo local global das unidades deve ficar bem abaixo dos índices estabelecidos no contrato da cessão onerosa e daqueles definidos após a aprovação do waiver de Libra, conforme publicado em fevereiro.

A reportagem perguntou à Modec qual será o conteúdo local global dos FPSOs, mas a empresa disse que não poderia disponibilizar as informações por força dos termos de confidencialidade firmados nos contratos com a Petrobras e fornecedores.

“A Modec entende, de fato, a importância da política de conteúdo local para o Brasil e tem bastante experiência em trabalhar com fornecedores brasileiros. Continuamos comprometidos em trabalhar com esses fornecedores com o objetivo de seguir os termos dos contratos assinados em todos os nossos projetos”, declarou a companhia.

Em fevereiro, a Petrobras declarou que tem atingido índices de conteúdo local acima dos requeridos no contrato de partilha na fase de exploração e empreendido esforços junto a fornecedores para cumprir as exigências de nacionalização, inclusive do FPSO, na fase de desenvolvimento da produção.

A estatal acrescentou, na ocasião, que o contrato de cessão onerosa contém previsão de revisão de determinados itens, incluindo os índices de conteúdo local.

“Este tema está entre aqueles a serem negociados pelas respectivas comissões de negociação, já constituídas pela Petrobras e pelo Governo”, informou a companhia.

“Quebra de acordo”

Para o vice-presidente do Sinaval, Sérgio Bacci, o reduzido escopo nacional dos FPSOs de Sépia e Mero representará, se confirmado, uma quebra de acordo. “Chegamos ao consenso dos 40%, que valeria para trás e para frente. Mas agora vão preferir pagar a multa”, assinala.

O sindicato ameaça entrar na justiça, alegando que, ao contrário do previsto no acordo, a ANP vem adotando percentual de 25% para UEPs nas novas licitações e não os 40% estabelecidos nas negociações.

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