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Fim de usina impactará minas da Copelmi

Mineiros e governo do Estado estão tentando fazer com que o encerramento da produção de energia da termelétrica de Charqueadas, anunciado para agosto pela Tractebel, seja postergado, pelo menos até o final do ano. No entanto, independentemente do momento, quando a interrupção das atividades acontecer, a medida acarretará reflexos para a Copelmi, a fornecedora de carvão para o empreendimento.

O diretor da Copelmi Carlos Faria adianta que, confirmado o término da operação da usina, terá que ser reduzido o volume de mineração de duas minas localizadas em Arroio dos Ratos e Butiá. O carvão extraído desses municípios, além da térmica que representa uma cota mensal de 28.866 toneladas do mineral, tem como clientes grupos dos setores de celulose, petroquímico, agronegócio e cerâmico. “Fechar não vai fechar, mas a Copelmi deverá diminuir o volume de extração, trazendo alguns impactos na parte da mão de obra, que não se sabe ainda quanto”, admite Faria.

Apesar do cenário atual, o executivo não descarta a reversão das expectativas. “A gente está conversando com a Tractebel a respeito da permanência (do funcionamento da usina) até o final do ano, conforme o contrato original”, revela. Faria acrescenta que as duas companhias também tentam buscar investidores para modernizar a termelétrica e possibilitar a continuidade do empreendimento. A Copelmi poderia, inclusive, ter uma pequena participação acionária na iniciativa.

O presidente do Sindicato dos Mineiros do Rio Grande do Sul, Oniro Camilo, estima que a interrupção da usina afetará em torno de 2,4 mil trabalhadores que atuam na cadeia do carvão. O temor quanto ao aumento do desemprego foi o tema de reunião da Comissão em Defesa do Emprego na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul (Cderc/RS), realizada na Assembleia Legislativa no dia 19 de maio. Camilo destaca que, após o evento, houve ainda um encontro com o Ministério Público Estadual. O objetivo foi solicitar o apoio do órgão para convencer a Tractebel de manter a operação da usina, no mínimo, até o final de 2016.

Mesmo com a insistência, o sindicalista sabe que é uma batalha difícil de ser vencida. “A empresa já bateu o martelo”, comenta. Camilo lembra que a Tractebel está construindo uma nova termelétrica no município de Candiota. “Só que aquele complexo não irá consumir o carvão da Região Carbonífera, e sim do entorno de Candiota”, ressalta. Para esse novo projeto, a fornecedora de combustível também será a Copelmi.

Uma tentativa que será feita pela Comissão em Defesa do Emprego na Região Carbonífera será sensibilizar o governo federal para elaborar um leilão de energia regional para a fonte carvão. Se a ação for aceita, Camilo argumenta que seria possível instalar uma usina de 350 MW, em Minas do Leão. Atualmente, a térmica em Charqueadas tem uma capacidade instalada de 36 MW (cerca de 1% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). O sindicalista informa que essa ideia será apresentada inicialmente ao governador José Ivo Sartori, para posteriormente seguir para Brasília.

O secretário adjunto de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, Artur Lemos Júnior, também defende o adiamento do fechamento da usina, mas vê obstáculos para atingir essa meta. “É um empreendimento privado, que olha as contas, infelizmente esse é o conflito que temos entre as iniciativas pública e privada”, argumenta o dirigente. Lemos Júnior salienta que o grupo internacional Engie (controlador da Tractebel) optou por investir menos em energias produzidas por combustíveis fósseis em escala global e esse é outro ponto que dificulta a situação da térmica de Charqueadas.

No entanto, Lemos Júnior diz que ainda não foi “jogada a toalha”, pois entende que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) precisa concordar com o fechamento. O secretário adjunto frisa que, quando houver a retomada da economia e os reservatórios das hidrelétricas estiverem baixos, o que suportará o abastecimento de energia no País serão as termelétricas.

Projeto carboquímico será postergado por um ano seu desenvolvimento

Uma espécie de “salvação” para a atividade de mineração na Região Carbonífera é o projeto carboquímico previsto para ser desenvolvido entre Eldorado do Sul e Charqueadas. Em dezembro de 2014, o governo do Estado, a empresa coreana Posco e a Copelmi assinaram protocolo de intenções que define incentivos fiscais para instalar uma unidade de gaseificação de carvão para produção de gás natural sintético (GNS) na região. Porém, a elaboração da iniciativa atrasou, e o cronograma foi adiado em cerca de um ano.

O diretor da Copelmi Carlos Faria informa que o começo da operação, inicialmente previsto para 2020, agora é estimado para 2021. O investimento no empreendimento permanece o mesmo e é calculado em aproximadamente US$ 1,8 bilhão. Faria detalha que a Posco já está tratando da questão da rota tecnológica, conversou com possíveis fornecedores dos equipamentos necessários e o projeto encontra-se na fase dos estudos de engenharia. A planta terá capacidade de produção de 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A expectativa é de que, na etapa de implantação, sejam gerados 4 mil postos de trabalho diretos.

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