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Estudo do Brasil diz que variantes de Covid-19 causaram infecção simultânea em dois casos

Cientistas no Brasil identificaram dois casos em que pessoas foram infectadas simultaneamente com duas variantes diferentes do Covid-19, de acordo com um novo estudo.

Ambos os casos eram de mulheres na casa dos 30 anos que apresentavam sintomas típicos de gripe leve a moderado e não adoeceram gravemente ou necessitaram de hospitalização. Em um caso, as duas variantes identificadas circulavam no Brasil desde o início da pandemia
No outro caso, a pessoa foi infectada simultaneamente com uma cepa mais antiga do vírus e com a variante P.2 identificada pela primeira vez no Rio de Janeiro.
Os resultados, baseados na análise do sequenciamento genômico de 92 amostras colhidas no Rio Grande do Sul, serão publicados na edição de abril da revista científica Virus Research.
Segundo o estudo, a coinfecção levanta a possibilidade de recombinação dos genomas das diferentes cepas, o que pode gerar novas variantes do coronavírus.
“Embora haja alguns casos relatados de reinfecção, a possibilidade de coinfecção por E484K adiciona um novo fator à complexa interação entre os sistemas de resposta imunológica e as mutações do SARS-CoV-2 Spike”, escreveram os autores.
A notícia chega no momento em que a segunda onda do Brasil mergulha o país na crise mais uma vez. O país registrou 2.233 novas mortes por Covid-19 na quinta-feira, e pelo menos 272.889 pessoas morreram devido ao vírus desde o início da pandemia.
UTIs e hospitais em todo o país estão quase lotados, e governadores, secretários estaduais de saúde e prefeitos estão pedindo medidas mais restritivas para conter a disseminação do coronavírus.
Na quinta-feira, o governador do estado de São Paulo, João Doria, anunciou novas medidas emergenciais de bloqueio no estado mais rico e populoso do Brasil.
“O Brasil está entrando em colapso”, disse ele em um vídeo divulgado momentos antes de uma entrevista coletiva sobre as novas medidas – contrastando com as garantias do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, apenas um dia antes.
“Nosso sistema de saúde está muito impactado, mas não entrou em colapso nem entrará em colapso”, afirmou Pazuello na quarta-feira, atribuindo o aumento de hospitalizações e mortes no país “principalmente às novas variantes do coronavírus”.
Durante as mesmas observações, Pazuello também reduziu as expectativas para a campanha de vacinação do Brasil, estimando que 22 a 25 milhões de doses da vacina Covid-19 estariam disponíveis até o mês de março – uma queda acentuada em relação à previsão do ministério da saúde de fevereiro de 46 milhões de doses.
Enquanto isso, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro – ele próprio sob ataque por causa da forma como seu governo lidou com a pandemia – continua a rejeitar medidas de bloqueio, invocando a saúde da economia.
“Por quanto tempo nossa economia vai resistir? Se (a economia) entrar em colapso, será uma vergonha. O que teremos em breve? Invasões de supermercados, ônibus incendiados, greves, piquetes, paralisações de trabalho”, disse ele em videoconferência com legisladores Quinta-feira.
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