Offshore

Estrangeiros pretendem investir US$ 750 milhões em Mato Grosso em uma indústria de etanol

O projeto prevê também, em um segundo momento, a instalação de outras agroindústrias, como uma esmagadora de soja e milho e uma fábrica de ração. A expectativa de investimentos na região é de 750 milhões de dólares, gerando três mil empregos, sendo mil diretos e dois mil indiretos.

O complexo industriário será dividido em três etapas, com duração entre três e cinco anos para desenvolvimento.

A empresa trará uma tecnologia pouco utilizada no Brasil, o etanol de milho, mas muito difundida e utilizada em países como os Estados Unidos, gerando divisas e insumos para agropecuária, explicou o representante da Cevital no país, Paulo Hegg, durante reunião nesta terça-feira (15.12) no Palácio Paiaguás.  “Queremos com isso agregar valor à matéria prima produzida no estado, gerando novos empregos e formando mão de obra mais especializada”, afirmou o executivo.

Uma das principais razões do investimento em Mato Grosso, é o estado ser um grande produtor agrícola. O grupo já compra do Brasil, segundo Paulo Hegg, R$1,6 bilhões de dólares por ano de produtos como açúcar, soja e milho por meio de trades internacionais do Japão, Suíça, França e Inglaterra. “Chegamos à conclusão que devíamos estar mais próximos dos produtores e a maior parte destes produtos estão em Mato Grosso. Desta forma resolvemos priorizar o estado dentro da implantação no Brasil”.

O governador Pedro Taques agradeceu a presença dos executivos da Cevital e destacou que Mato Grosso tem um ambiente propício para atrair investimentos. “O interesse de uma empresa do nível da Cevital em investir em Mato Grosso ajudará a abrir portas para outros investidores estrangeiros e para novos mercados, como o africano”. Taques ofereceu todo apoio necessário ao grupo, destacando que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estará em contato direto com os empreendedores buscando agilidade e viabilidade nos processos de licenciamento, energia, incentivos fiscais e financiamento de forma a trazer este investimento o mais rápido possível para o estado.

Novos mercados

O projeto, além de trazer agregação de valor com o processo de industrialização do milho e da soja, é importante por sair dos grandes centros e abrir novos mercados, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo, que está à frente da negociação com o grupo argelino. “É um investimento extremamente significativo para Mato Grosso que trará crescimento para um município pequeno, uma região que ainda precisa ser desenvolvida e abrirá para produtores e empreendedores do estado um mercado de negociação com o norte africano”.

A parceria com o Legislativo por meio de leis que proporcionem condições jurídicas para os investimentos de grupos internacionais foi um ponto importante levantando por Seneri. Representando a Assembleia,  o deputado Dilmar Dal Bosco, que ressaltou a seriedade do governador Pedro Taques no empenho de trazer ao estado grandes empreendedores. “É uma gestão que se preocupa com questões ambientais, de energia elétrica e no desenvolvimento e industrialização do interior. O Governo está no caminho certo para gerar empregos, promovendo o desenvolvimento econômico e preservação ambiental”.

Cevital

É uma empresa familiar privada, criada em 1971 na Argélia e dirigida pelo pai e cinco filhos. Até 1998, a empresa tinha como ponto central os setores siderúrgicos e metalúrgicos. Há 16 anos, se tornou uma das principais empresas do ramo agropecuário do mundo, sendo que hoje 60% do faturamento do grupo, em um total de R$ 5 bilhões de dólares por ano, vem da agroindústria.

Além da refinaria de açúcar na Argélia, com estrutura de um porto próprio e a produção de 2,7 milhões de toneladas por ano, a empresa atua em outros setores como óleo refinado e margarina. Após inserir no mercado europeu, com a implementação, dentre outros empreendimentos, de uma siderúrgica na Itália com um porto, que terá uma plataforma de recebimento de produtos brasileiros para distribuição na Europa, o próximo passo da empresa é investir no Brasil, em especial em Mato Grosso, e avançar as negociações com países africanos, como Sudão, Costa do Marfim, Angola e Moçambique.

Voltar ao Topo