Economia

Empresas brasileiras de saúde planejam fusão de bilhões de dólares

A Hapvida Participações e Investimentos SA e a Notre Dame Intermedica Participações SA do Brasil concordaram em fundir seus negócios em um negócio de bilhões de dólares que tenta redesenhar o sistema de saúde desgastado do país.

Os investidores da Hapvida terão 53,6% da nova empresa, enquanto os da Intermedica terão 46,4%, de acordo com um documento regulatório de sábado. O acordo acontece cerca de sete semanas depois que a Hapvida apresentou uma proposta não vinculativa de fusão dos negócios.

“Se concluída, a transação resultará na criação de uma das maiores empresas do mundo, fornecendo soluções verticalizadas de saúde”, disseram as empresas no processo.

O acordo, criando uma empresa com valor de mercado de mais de 110 bilhões de reais (US $ 19,6 bilhões), ocorre no momento em que o Brasil luta contra uma pandemia que atingiu a economia, deixou muitos hospitais à beira do colapso e matou mais de 250.000 de seus cidadãos. O Brazil Journal, que deu a notícia na sexta-feira, disse que a fusão seria a maior do país desde a união do Itaú e do Unibanco em 2008.

A nova empresa será liderada por Irlau Machado Filho, da Intermedica, e Jorge Pinheiro, da Hapvida, como co-CEOs. O Hapvida indicará cinco membros para o conselho, incluindo o presidente, e a Intermedica escolherá dois nomes. Os outros dois membros independentes serão indicados pelo conselho de administração de cada empresa.

Sem Risco

Em agosto, Pinheiro disse que sua empresa estava em busca de aquisições, especialmente porque a pandemia representava desafios significativos para os hospitais do país. Em janeiro, ele disse em uma teleconferência com investidores que não via nenhum “risco do ponto de vista competitivo” em um negócio com a Intermedica, dado que as duas empresas tinham pouca ou nenhuma sobreposição geográfica.

Os detentores da Intermedica receberão 5,2490 ações ordinárias da Hapvida e 6,45 reais para cada ação de sua titularidade, o que equivale a 88 reais no fechamento da sexta-feira. O valor do pagamento à vista será atualizado até a conclusão do negócio com base na variação do CDI.

O negócio implica um prêmio de 15% – de 10% na proposta original – sobre o valor de mercado da Intermedica com base na cotação média das ações nos 20 pregões anteriores a 21 de dezembro, conforme o arquivamento.

Hapvida contratou BTG Pactual e Itau BBA como consultores financeiros, enquanto a Intermedica estava trabalhando com JPMorgan e Citibank. O custo da transação do negócio é estimado em 116 milhões de reais, de acordo com o documento. A nova empresa teria 20% do mercado com base no número de usuários e 10% no faturamento, informou o Valor Econômico em janeiro.

O negócio agora precisa ser aprovado pelos dois grupos de acionistas em assembléias gerais extraordinárias marcadas para 29 de março, bem como pelo órgão regulador do setor (ANS) e pelo órgão regulador antitruste (Cade).

Voltar ao Topo