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Empresa francesa mira contratos para manutenção de plataformas

O mercado brasileiro de óleo e gás oferece hoje dificuldades para a concretização de novos investimentos, mas o horizonte a longo prazo segue atraindo o interesse de grandes empresas internacionais.

Com foco na diversificação de projetos, desde a manutenção de plataformas à construção de linhas de transmissão, a francesa Vinci Energies integra hoje esse grupo e busca crescer em cima da lacuna de investimentos que vem afetando grande parte da indústria brasileira em meio à crise.

A companhia busca expandir seu alcance no setor de petróleo por meio da subsidiária Actemium (antiga Orteng) e vem mirando novas atuações tanto na manutenção quanto na construção de módulos elétricos para plataformas de produção, setor no qual trabalha junto à Petrobrás em unidades de Macaé.

De acordo com o diretor-geral da Vinci no Brasil, Dominique Ferreira, a empresa busca contratos de médio porte para o setor e também vem dialogando quanto a novas parcerias no segmento energético, onde atua por meio da subsidiária Omexom.

O objetivo é garantir projetos para construção, engenharia e montagem de linhas de transmissão com as companhias que venceram leilões recentes do governo. “A nossa ideia é ser um epecista confiável para os investidores, com preço fechado, prazo fechado e qualidade de alto padrão”, afirma o executivo, que traça com otimismo o cenário para os próximos meses. Mantendo seu balanço estável na indústria brasileira, a expectativa da Vinci é fechar o ano com um faturamento de R$ 450 milhões no Brasil.

A Actemium é a marca da Vinci voltada para construção na área de petróleo?

Na verdade, ela é a marca da indústria de forma geral, e dentro dela tem a área de óleo e gás. Também tem outras, como automobilística, alimentícia e farmacêutica. Todas as nossas atividades globais são feitas através da Actemium.

Quais são os principais serviços dessa unidade?

Ela faz engenharia, construção, montagem e manutenção. Seja no refino, na parte de produção onshore ou offshore, energia, automação e mecânica.

Desde a compra da Orteng, até a empresa mudar o nome para Actemium, como está esse processo de integração?

A compra ocorreu há cerca de um ano, e a integração ocorreu muito bem. Hoje a empresa está dentro da Vinci Energia Brasil e está organizada. Nós temos outra marca que lançamos também dentro da Orteng, que é a Omexom, marca dedicada à área de energia, geração transmissão e distribuição. Dentro da Orteng, temos hoje essas duas marcas no Brasil.

Quais são os principais projetos da Actemium hoje?

Temos vários. Em óleo e gás, temos como cliente importante a Petrobrás, com manutenção e obras de diversos projetos.

Quais são os mais recentes?

Nós atuamos em Macaé, com contratos que estão em vigência para manutenção de plataformas. Somos um player global, que faz de engenharia até a manutenção, e temos atuação com essas empresas em uma visão de longo prazo no Brasil.

 O atual cenário do Brasil afetou o projeto de integração das empresas da Vinci?

Na verdade não teve impacto. Nós temos projetos que estão em continuidade, e esse cenário traz mais oportunidades para empresas como a nossa, que não é um player novo, mas que, até em razão dessa mudança de marca, acaba por ser um player diferente. Estamos trazendo algo novo para o mercado brasileiro.

Em meio à Operação Lava-Jato, muitas empresas tradicionais de engenharia acabaram sendo tiradas da lista de opções de investimento. O senhor avalia que isso abre espaço para a Vinci?

Com certeza, é uma abertura de espaço. Há empresas impossibilitadas de participar de licitações da Petrobrás, e com a crise econômica vemos companhias que estão sofrendo, pagando a conta de erros estratégicos. Elas embarcaram, mas não tinham robustez financeira nem o know-how para esses tipos de contrato. São empresas que estão em situação financeira muito difícil, algumas já quebraram. Infelizmente para essas empresas e felizmente para nós, isso dá um espaço maior.

Que tipos de contratos a empresa busca hoje como prioridade?

Contratos nos quais haja possibilidade de trazer valor agregado ao cliente. Não somos gigantes no Brasil e não trabalhamos com contratos gigantes. Andamos atrás de contratos onde sabemos que temos know-how para fazer a engenharia, entregar no prazo, no preço e no custo. Nosso foco não é volume; sempre foi e sempre será o lucro da empresa, com uma operação sustentável. A nossa ação é no longo prazo.

Em termos práticos, quais seriam esses contratos? Construção de plataforma está fora do escopo?

Nós somos um player na parte de energia de automação, então nosso escopo é esse. Nós podemos fazer, por exemplo, módulos elétricos de plataformas. Temos o know-how porque já entregamos esse tipo de projeto. Uma plataforma tem muitos módulos e muita coisa para fazer, mas o nosso negócio principal é esse. Por outro lado, um dia haverá retomada nos projetos de refino, e sabemos fazer toda a parte de energia e automação em refinarias. Além disso, atuamos com manutenção em projetos onshore e offshore, mas também há muitos outros setores. Hoje se fala muito do potencial do gás natural, e fora do Brasil temos know-how em estoque de gás – com pressão de gás – onshore. Fizemos projetos relevantes para essa área na Europa.

A área de petróleo tem enfrentado uma redução de projetos, mas a de energia teve crescimento no Brasil, por conta das demandas e da falta de chuvas. Vocês estão crescendo nessa área? Que tipos de contrato estão buscando?

Nosso trabalho é fazer engenharia, construção, montagem e manutenção de linhas de transmissão, assim como de subestações.

Usinas também?

Nós temos uma experiência grande em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), mas hoje estamos focando mais na área de energias renováveis, com eólica, solar e biomassa.

Vocês participaram dos leilões recentes de transmissão?

Não, não entramos hoje nesses leilões porque não é nosso papel no Brasil. A nossa ideia é ser um epecista confiável para os investidores, com preço fechado, prazo fechado e qualidade de alto padrão. Queremos ser um epecista premium, mas houve situações difíceis nesse setor com empreendimentos parados.

Vocês estão buscando negociar com empresas que integraram esses leilões recentes?

Estamos negociando com essas empresas e com as que ganharam os leilões de 2014. Falamos com todas, porque nossos clientes são esses, mas hoje não temos nada de firme para podermos falar.

Qual é a projeção e o faturamento previsto para este ano no Brasil?

O faturamento da Vinci Energia Brasil este ano deve ser de R$ 450 milhões, assim como foi no ano passado. Temos um pouco mais de 2 mil funcionários no país.

Quanto o setor de óleo e gás representa nisso?

Cerca de 30% do faturamento.

Qual é a expectativa da empresa para este ano?

Este ano vai ser difícil para todos; não há quem possa dizer que é um ano fantástico. A nossa expectativa é nos preparar para uma retomada que virá um dia, ainda não sabemos quando. Vamos atuar com nosso time de mais alto padrão, treinar as pessoas e preparar a empresa com alto nível de engenharia para retomar o crescimento junto ao mercado. Também vamos otimizar nossa parte de construção e montagem, trabalhar nos custos próprios da empresa e melhorar nossa competitividade. A ideia é ser um parceiro de longo prazo. Aproveitamos essa temporada difícil para preparar a empresa e estarmos prontos para uma retomada. Há espaço para isso, e nossa carteira permite atravessar o atual momento.

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