Energia

Empresa chinesa se torna líder em painéis solares no Brasil

paineis solares

Uma empresa chinesa que chegou ao Brasil em 2016 conseguiu se tornar, em cinco anos, a maior vendedora de painéis fotovoltaicos para o mercado de geração de energia solar no país. A Trina Solar importou para o Brasil painéis solares suficientes para gerar cerca de 1.500 megawatts apenas no pico do ano passado, segundo dados da consultoria Greener.

A Trina foi fundada na China em 1997 e hoje fornece módulos e outros equipamentos para geração fotovoltaica para mais de 100 países, bem como redes inteligentes e sistemas de energia e uma plataforma operacional de energia em nuvem. A empresa está listada na Bolsa de Valores de Xangai desde 2020, quando alcançou uma receita operacional global de US$ 4,5 bilhões.

O Brasil já responde por quase 10% das vendas da empresa em todo o mundo, disse Álvaro García-Maltrás, vice-presidente da Trina para a América Latina e Caribe. “Isso é muito significativo, principalmente considerando a rapidez com que crescemos no Brasil. É muito gratificante ver que quando chegamos ao país o mercado era relativamente pequeno, e agora é um dos principais mercados do mundo”, disse.

A Trina oferece soluções tanto para geração centralizada, que são as grandes usinas, quanto para geração distribuída, que inclui projetos em que o próprio consumidor gera energia por meio de painéis no telhado, por exemplo. O Sr. García-Maltrás diz que a atuação em ambas as frentes contribuiu para a rápida expansão da empresa no Brasil, pois ambos os segmentos tiveram grande crescimento no país nos últimos anos. Entre 2016 e fevereiro de 2022, a fonte solar passou de 93 MW de potência instalada no Brasil para 13.520 MW, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Para este ano, a fonte deve dar um novo salto no Brasil, principalmente no segmento de geração distribuída. Novas regras para projetos nesse segmento foram sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro, com a previsão de que os projetos que solicitarem conexão ao sistema elétrico até o início de 2023 permanecerão isentos do pagamento de taxas de uso da rede. O cenário gerou uma corrida para novos projetos.

“O marco legal estável permitirá que o segmento de geração distribuída no Brasil cresça ainda mais. No ano passado, o crescimento já foi forte, mas acredito que até 2022 pode ser até 50% maior”, disse García-Maltrás.

Para atender ao crescimento, o grupo pretende ampliar a equipe no país este ano. Apesar das perspectivas otimistas, o executivo disse que o mercado sofreu com a pandemia e que as restrições logísticas na entrega de equipamentos que vêm da China provavelmente ainda serão sentidas no primeiro semestre deste ano, com retorno à normalidade esperado para o segundo. metade de 2022. “Isso está limitando nossa capacidade de trazer o equipamento aqui, em alguns casos. As mercadorias são tipicamente fabricadas na China e trazidas para o Brasil, então a distância é grande”, disse.

Outro ponto de atenção, no caso específico do Brasil, é a volatilidade da moeda e os impactos desta nos custos finais dos projetos. Dados da Greener mostram que os preços do sistema fotovoltaico para o cliente final em janeiro de 2022 tiveram um aumento médio de 8% em relação ao ano anterior e atingiram os níveis mais altos dos últimos dois anos.

De acordo com o Sr. García-Maltrás, no entanto, as variações de preços não limitaram o crescimento da fonte no país. Também não são esperadas grandes mudanças nas tendências para o setor após as eleições presidenciais deste ano. “A tecnologia solar está entre as mais competitivas. Acredito que o sucesso e o crescimento são garantidos. Os governos podem torná-lo mais rápido ou mais lento, mas o crescimento vai se materializar”, disse ele.

Entre as apostas tecnológicas para os próximos anos, a empresa prevê o crescimento de projetos de geração distribuída com soluções de armazenamento, como baterias, que ajudam a garantir a autonomia do fornecimento de energia quando não há luz solar, como à noite. No segmento de geração centralizada, uma aposta é em soluções de hidrogênio verde associadas à energia solar. “Esta será uma das soluções tecnológicas que levará ao crescimento do mercado. Já vemos isso muito avançado no Chile, por exemplo. Vários projetos de geração centralizada no Chile já estão sendo desenhados com esses sistemas”, disse.

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