Economia

Dólar leva calmante, fica mais barato e pode aliviar a fome e os juros

O preço do dólar está muito estressado, não importa o que se leve em consideração o seu valor “adequado”, preço mais ou menos compatível mesmo com os números degradados da economia brasileira (que ficariam em torno de R $ 4,50, calculam os economistas). Nos últimos dias, no entanto, os corretores de moeda tomaram um tranqüilizante. Nesta quinta-feira (22), o dólar caiu a R $ 5,44.

E?

Para começar, o dólar mais barato pode ser um alívio para a inflação. O IPCA acumulado em 12 meses é de 6,1%; ainda deve subir 7,5% entre maio e julho. Segundo palpite de economistas, a partir de então cairia para cerca de 4,5% no final do ano. Um dólar mais barato empurraria isso para baixo. Um IPCA menor pode evitar taxas de juros (Selic) mais altas aqui.

Dito isso, de onde vêm os tranquilizantes? O remédio básico quase sempre é importado: as taxas de juros nos Estados Unidos caíram, depois da corrida do primeiro trimestre do ano.

O saldo cambial também melhorou, a diferença entre a entrada e a saída de dólares, que foi muito positiva no primeiro trimestre do ano (US $ 8,72 bilhões), o melhor resultado do primeiro trimestre desde antes do início do colapso brasileiro em 2013. Na prática, o fluxo do câmbio quase sempre esteve no vermelho desde 2018. No ano passado, essa conta foi negativa em quase US $ 28 bilhões (o pico da fuga foi em março e abril, de US $ 60 bilhões em doze meses). No acumulado de doze meses até março, ainda é negativo em US $ 7,8 bilhões, mas melhorando.

Parte dessa melhora vem de uma situação que já pode ser chamada de extraordinária no comércio exterior. O preço dos produtos que o Brasil exporta em relação aos que importa (os termos de troca) raramente esteve tão alto em mais de 20 anos. Ou seja, a soja ou a carne que o país vende raramente valem tanto em relação à média do que compramos no exterior. A balança comercial será recorde, além dos US $ 70 bilhões deste ano.

Em geral, quando os termos de troca vão bem, a moeda brasileira se valoriza. Não tem sido assim desde o início da pandemia. A fuga de dinheiro de países “emergentes” explica parte do problema; o aumento brutal da dívida pública e as turbulências políticas e econômicas agravaram a situação.

Esta situação obviamente não melhorou. No entanto, observadores precisos do câmbio e dos juros dizem que houve fatores recentes de alívio. O desvio do vergonhoso orçamento teria saído melhor do que o esperado. Comerciantes de dinheiro acreditam no agravamento da epidemia, a partir de agora. Até fevereiro, a atividade econômica não teria sofrido tanto com o corte nas ajudas governamentais (emergências, salários e verbas para estados e municípios). Ou seja, haveria expectativa de recuperação econômica após a eclosão da epidemia mesmo sem gastos públicos extras e maiores, como em 2020. Além do ingresso de dinheiro nas finanças, o investimento direto (estrangeiro) no país está melhorando. Etc.

Essa perspectiva positiva teria criado expectativas de valorização do real. Com isso, ficou mais arriscado manter posições financeiras baseadas em um dólar mais caro, o que também ajuda a valorizar a moeda brasileira desde agora.

Não há como estimar a duração do efeito dos tranquilizantes. Existem razões fundamentais para a valorização do real, mas o estresse de curto prazo tem sido decisivo. Uma agitação nos EUA vai nos dar nos nervos. Não se sabe o que acontecerá com a epidemia (a vacinação pode conter uma terceira onda?). Esperamos turbulências políticas até meados do ano. De qualquer forma, o presidente é Jair Bolsonaro.

 

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