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Desmatamento crescente na Amazônia divide lobby da agricultura brasileira

Maior grupo de lobby dos produtores de soja, Aprosoja, do Brasil, rompeu relações com a Associação do Agronegócio do Brasil (Abag) por causa de seu apoio a uma iniciativa que pede ao governo brasileiro que controle o desmatamento crescente na floresta amazônica.

Abag estava entre cerca de 230 organizações não governamentais, empresas e associações que apelaram ao governo do presidente de direita Jair Bolsonaro no início deste mês para tomar medidas para combater o aumento do desmatamento.

A saída da Aprosoja da associação destaca o quão divisiva a questão da proteção ambiental é para o setor agrícola do Brasil, que apoiou esmagadoramente o presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2018.

As preocupações ambientais na Europa com a importação de produtos brasileiros vinculados ao desmatamento ameaçaram inviabilizar a ratificação de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o bloco comercial sul-americano Mercosul. Isso representaria um golpe para os agricultores brasileiros que se beneficiarão com o aumento das exportações.

Muitos dos maiores fazendeiros e empresas de comércio de commodities dizem que os produtores marginais, que não representam o setor dominante, estão promovendo o desmatamento ilegal.

Alguns agricultores, assim como Bolsonaro, culpam a imagem ambiental negativa do Brasil em uma campanha de difamação de organizações não governamentais. Defensores do meio ambiente dizem que as políticas de Bolsonaro que enfraquecem a fiscalização ambiental encorajam os agricultores, fazendeiros e mineradores ilegais a derrubar a floresta.

O presidente da Aprosoja, Bartolomeu Braz Pereira, disse à Reuters que a Abag estava fazendo política ao se aliar a organizações não-governamentais.

“Nossa voz não foi mais ouvida”, disse Pereira.

“As ONGs não têm nenhum interesse em preservar o meio ambiente”, disse Pereira. Ao se aliar a ONGs, a Abag foi cúmplice de “denegrir a imagem do produtor rural”. A assessoria de imprensa da Abag disse que não comentaria sobre a saída de qualquer organização membro da associação, mas que não era motivo de preocupação.

O desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 34,5% nos 12 meses até julho, o período oficial do Brasil para medir o desmatamento, de acordo com estatísticas preliminares da agência governamental de pesquisa espacial Inpe.

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