Economia

Desemprego cai, mas a renda é mais baixa até agora

desemprego

O mercado de trabalho consolidou a trajetória de redução do desemprego, mas ainda são quase 13 milhões de trabalhadores procurando emprego. Além disso, o rendimento médio atingiu o menor nível de toda a série histórica da pesquisa (R $ 2.449), iniciada em 2012, e o número de trabalhadores por conta própria atingiu novo recorde (25,638 milhões).

Esse foi o quadro traçado na Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Contínua) do trimestre encerrado em outubro, divulgada terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os economistas esperam que o emprego continue acelerando nos próximos meses, embora a economia menos dinâmica provavelmente comprometa seu ritmo e qualidade.

A taxa de desemprego no país caiu para 12,1% no período de agosto a outubro, ante 13,7% no trimestre anterior e 12,6% no trimestre encerrado em setembro de 2021. É o menor nível desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2020 (11,8 %), mas ainda é maior do que a pré-pandemia. O resultado está um pouco abaixo da mediana de 12,2% esperada pelo mercado, segundo o Valor Data, com projeções que variam de 12% a 13,4%.

A queda reflete principalmente o crescimento da população ocupada e a redução da população desempregada. Mesmo assim, existem 12,906 milhões de trabalhadores em busca de oportunidade de trabalho. Esse número caiu 10,4% em relação ao trimestre anterior (1,5 milhão de pessoas a menos) e 11,3% em relação ao mesmo período de 2020 (1,7 milhão de pessoas a menos).

O número de pessoas ocupadas foi de 93,958 milhões no trimestre encerrado em outubro – aumento de 3,6% (ou 3,3 milhões de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 10,2% (8,7 milhões) em relação ao mesmo trimestre de 2020.

Se há mais gente conseguindo ingressar no mercado de trabalho, os dados do IBGE deixam clara a piora do rendimento médio do trabalhador e da massa total de rendimentos da economia. E não há perspectivas de melhora no curto prazo, ressaltam os economistas, dada a mudança no perfil da população ocupada e a própria inflação, que vem corroendo o poder de compra.

O rendimento médio real dos trabalhadores (considerando a soma de todos os empregos) foi de R $ 2.449 no trimestre até outubro de 2021, queda de 4,6% em relação ao trimestre anterior e de 11,1% em relação ao mesmo período de 2020. É o sétimo redução consecutiva do rendimento médio – desde o trimestre encerrado em abril de 2021 – que atingiu o menor valor desde o início da realização da pesquisa. A massa de rendimentos perdeu 1,9% em um ano, para R $ 225,047 bilhões, apesar dos 8,7 milhões de trabalhadores a mais.

Lucas Assis — Foto: Claudio Belli/Valor

Lucas Assis — Foto: Claudio Belli/Valor

“Apesar da recuperação quantitativa, a situação do mercado de trabalho ainda é desafiadora. O impacto causado pela pandemia não se reflete principalmente na taxa de desemprego, mas sim na qualidade do emprego. [A renda real deve seguir pressionada nos próximos meses, dada a ociosidade do mercado de trabalho e a falta de ganhos reais do salário mínimo ”, disse o economista da Tendências Consultoria Lucas Assis. Sua projeção é que o rendimento médio caia 6,5%, em 2021, seguido de uma nova perda de 2% em 2022.

O diagnóstico é compartilhado pelo economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, para quem a Pnad Contínua mostra o mercado de trabalho de uma economia que começa a sair da recessão, mas com empregos de menor qualidade. “O qualitativo ainda é um problema. Apesar de haver mais gente ocupada, os salários são menores e nem compensam a inflação ”, afirma.

“A maioria dos setores que estão melhorando está muito ligada à normalização da circulação”, ressalta Caruso. Esse ajuste, porém, acaba em algum momento e a preocupação é em 2022, ano para o qual as projeções de atividade econômica não apontam um quadro muito animador para a melhoria das condições de emprego. O banco, diz Caruso, estima um crescimento do PIB de 0,5% para 2022, o que deve levar a uma lenta melhora do mercado de trabalho. “A perspectiva é semelhante a deste ano, mas vai ser pior porque não teremos o efeito dos setores afetados pela pandemia e que agora empregam mais gente.”

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