Energia

CSN vê sinergia de R $ 800 mi com LafargeHolcim

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Além de sinergias operacionais, administrativas e logísticas, a aquisição dos ativos da LafargeHolcim pela CSN Cimentos, anunciada na semana passada, trará relevantes ganhos fiscais e tributários. Entre as perdas acumuladas e o ágio, o impacto positivo é estimado em R $ 800 milhões a valor presente.

A transação também acelera os planos de crescimento do negócio de cimento da CSN, que agora espera atingir 27,5 milhões de toneladas por ano de capacidade instalada até 2033 – levando em consideração a execução de projetos de expansão e a aprovação sem restrições do órgão regulador antitruste CADE. Hoje, com a Lafarge, esse número é de 16,3 milhões de toneladas por ano.

Benjamin Steinbruch — Foto: Claudio Belli/Valor

Benjamin Steinbruch — Foto: Claudio Belli/Valor

Segundo Benjamin Steinbruch, dono, CEO e presidente do grupo CSN, depois de gastar cerca de US $ 1,2 bilhão para comprar os ativos da Lafarge no Brasil e da Elizabeth Cimentos e Mineração em menos de três meses, a empresa continuará crescendo com investimentos em novas fábricas, principalmente em as regiões Sul e Norte.

“Independentemente do plano de aquisição, a CSN Cimentos tem um plano de crescimento orgânico que será implementado nas regiões Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, disse Steinbruch em teleconferência com analistas na segunda-feira.

Segundo ele, a CSN está “muito otimista” com a evolução do mercado brasileiro de cimento, setor “próximo e complementar” às demais operações do grupo. “Acreditamos muito na rápida expansão deste projeto”, afirmou, acrescentando que a CSN Cimentos pretende ser a maior cimenteira do país em volume de vendas – em termos de capacidade instalada, a empresa passa a ser a terceira maior depois da aquisição mais recente.

O Sr. Steinbruch afirmou ainda que os desafios para concretizar este projeto de crescimento acelerado em cimento estão “bastante avançados”, principalmente no que se refere à aquisição de equipamentos. “Todo mundo sabe que temos duas fábricas encaixotadas”, comentou. Com a transação com o grupo Holcim, a CSN Cimentos também está incorporando novas reservas de calcário que vão atender às suas ambições de crescimento orgânico, afirmou.

“Vai atender o que o CADE [fiscalizador antitruste] exige, mas certamente dentro de um espírito construtivo e aumento imediato da produção onde estamos e nas regiões em que vamos entrar”, disse Steinbruch.

A aposta do grupo no mercado de cimento, disse o empresário, é amparada pela percepção de que o país precisa de altos investimentos para corrigir gargalos de infraestrutura e construção civil, neste caso para reduzir o déficit habitacional, e que eles serão feitos.

Segundo o Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da CSN, Marcelo Cunha Ribeiro, a aquisição eleva a importância do negócio de cimento em termos de geração de caixa dentro do grupo para cerca de 10% no próximo ano, além de possibilitar a chegada da CSN Cimentos a novos mercados, como a região Centro-Oeste.

Considerando a redução de custos e sinergias decorrentes das iniciativas que serão implementadas pela CSN Cimentos, o EBITDA da ordem de R $ 540 milhões este ano poderia crescer 50%, chegando a R $ 858 milhões. O EBITDA de R $ 77 por tonelada de cimento pode chegar a R $ 123.

A Lafarge tem 10,3 milhões de toneladas de capacidade efetiva no país, mas dada a estratégia de buscar rentabilidade em detrimento do volume, a taxa de ocupação das fábricas gira em torno de 70%.

O plano da CSN é combinar rentabilidade e volume daqui para frente. “É claro que isso não será feito de imediato”, disse Ribeiro, indicando que a ideia é chegar mais perto de 9 milhões de toneladas de produção efetiva mais tarde.

A margem EBITDA das operações adquiridas, atualmente em torno de 20%, deve se aproximar dos atuais 40% da CSN Cimentos no médio prazo. “Vamos fechar essa lacuna para chegar mais perto de 40%. As iniciativas serão implantadas de 18 a 24 meses ”, disse Ribeiro.

Conforme indicado pelo Sr. Steinbruch, o Sr. Ribeiro destacou que os projetos de crescimento orgânico desenhados pela empresa antes da compra das operações do grupo Holcim serão mantidos e executados e a aquisição amplia as possibilidades. “A aquisição traz mais opções. Os projetos ainda estão no portfólio e serão acelerados após a integração das operações da Lafarge ”, disse Ribeiro.

Questionado sobre a possibilidade de novas fusões e aquisições no setor cimenteiro, o presidente da CSN lembrou que hoje não existem muitos ativos disponíveis no mercado e qualquer movimento da empresa nesse sentido será “oportunista” – mais um sinal de que o foco está em crescimento orgânico. “Acertamos o gás com a convicção de que estamos em um ciclo de crescimento sustentado do consumo de cimento no país”, afirmou.

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