Economia

Contas externas brasileiras devem apresentar saldo negativo

brasil fiscal Contas externas brasileiras devem apresentar saldo negativo

O saldo negativo das contas externas do Brasil deve ser maior em 2021 do que sugerem as projeções mais recentes de economistas do setor privado.

Entre janeiro e novembro deste ano, o déficit em transações correntes atingiu US $ 22,3 bilhões, conforme divulgado quarta-feira pelo Banco Central. Para dezembro, a autoridade monetária projeta resultado mensal negativo de US $ 6,8 bilhões, o que significaria déficit de US $ 29,1 bilhões no ano.

A mediana das projeções de analistas de financeiras, gestão de ativos e consultorias sugere déficit de US $ 19 bilhões em 2021, segundo o último questionário enviado pelo Banco Central aos economistas. As respostas foram coletadas entre 26 de novembro e 1º de dezembro, antes da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central projeta um déficit de US $ 30 bilhões, conforme publicado na semana passada em seu relatório trimestral de inflação.

O saldo em conta corrente mede a diferença entre o que o país gasta e as transações internacionais que obtém relacionadas com comércio, renda e transferências unilaterais. Um déficit menor não significa necessariamente uma boa notícia, pois pode estar atrelado a um desempenho mais fraco da economia, como foi o caso em 2020.

A principal diferença entre as estatísticas de janeiro a novembro divulgadas quarta-feira pelo Banco Central e a projeção dos economistas para 2021 está no superávit comercial. Nos 11 primeiros meses deste ano, o saldo comercial ficou positivo em US $ 33,2 bilhões, quase US $ 12 bilhões abaixo da projeção mediana da pesquisa pré-Copom, de superávit de US $ 45 bilhões.

Mas, mesmo que o déficit em conta corrente seja maior do que o projetado, esse montante continua a ser financiado de forma frouxa pelo investimento direto no Brasil (PDI). Considerado por muitos economistas como a fonte mais estável de financiamento das contas externas, o PDI leva em consideração: juros diretos no capital da empresa; empréstimos diretos concedidos por sedes de empresas multinacionais a subsidiárias no país e vice-versa; retorno dos investimentos brasileiros no exterior.

De janeiro a novembro, a entrada líquida desses recursos somou US $ 50,3 bilhões, e o Banco Central projeta outra entrada líquida de US $ 3 bilhões em dezembro. A mediana da estimativa do questionário pré-Copom para 2021 é um pouco menor, de uma arrecadação líquida de US $ 52 bilhões.

Em relatório, a 4E Consultoria disse esperar “manutenção, no curto e médio prazo, do crescimento do déficit em conta corrente”. Segundo a consultoria, “novas medidas de distanciamento social na Europa e nos Estados Unidos” devem enfraquecer a atividade econômica de ambas as reuniões e, consequentemente, afetar “os resultados da nossa balança comercial”. Além disso, afirma que o ciclo de alta da taxa básica de juros dos Estados Unidos, previsto para o próximo ano, “deve impactar as taxas de câmbio das economias em desenvolvimento e direcionar parte do capital financeiro para os títulos do Tesouro norte-americano”.

Por enquanto, porém, as projeções apontam para uma queda do déficit em 2022. O Banco Central estima que o resultado será negativo em US $ 21 bilhões, enquanto a mediana da estimativa do questionário pré-Copom é de US $ 23 bilhões. Para o PDI, as projeções são de ingressos líquidos de US $ 58 bilhões e US $ 55 bilhões, respectivamente.

A autoridade monetária também divulgou quarta-feira no relatório de investimento direto que o estoque do PDI diminuiu US $ 109 bilhões entre 2019 e 2020, o que representa uma contração de 12,4%, para US $ 765 bilhões. Segundo o Banco Central, a queda do ano passado pode ser explicada “principalmente pela variação por paridades cambiais”, que foi negativa em US $ 140,1 bilhões. Na prática, quando o real se desvaloriza em relação ao dólar, a valorização das empresas que fazem investimentos diretos no Brasil cai em dólares.

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