Energia

Como as grandes petrolíferas podem liderar o desenvolvimento eólico offshore do Brasil

Projetos de petroleiras podem liderar o desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil, segundo um especialista local. 

“As petroleiras estão percebendo que precisam mudar seu portfólio de energia e já têm know-how [na construção e operação] de plataformas, que podem ser movidas a energia eólica gerada offshore para reduzir a emissão de gases”, disse Maurício Salles, integrante do Instituto Brasileiro de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), disse em apresentação na terça-feira. 

Algumas das tecnologias que suportam turbinas eólicas offshore, como a monopilha, jaqueta / tripé e estruturas flutuantes, vêm da indústria de petróleo e gás, disse ele.

Salles mencionou o projeto Hywind Tampen da Equinor, que fornecerá energia eólica para as operações de campo offshore de Snorre e Gullfaks no Mar do Norte. 

Em agosto, a petrolífera norueguesa apresentou um projeto ao órgão ambiental brasileiro (Ibama) para a instalação de dois parques eólicos (Aracatu I e II) na costa do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

Com capacidade instalada de 2 GW cada, os parques serão instalados em lâminas de água entre 15m e 35m e serão compostos por 320 aerogeradores, que variam de 12MW a 16MW.

Novos desenvolvimentos tecnológicos estão favorecendo a expansão dos projetos eólicos offshore, segundo Salles. As inovações em andamento incluem o aprimoramento das previsões de geração de energia eólica com base em análise de dados, aumento do fator de recuperação das turbinas eólicas, medição da velocidade do vento com laser e novos conceitos e materiais para as pás eólicas, disse ele.

A NOC Petrobras do Brasil também havia apresentado um projeto eólico offshore ao Ibama, que consistia em uma turbina eólica de 5 MW que forneceria energia elétrica para a plataforma Ubarana 3, na bacia do Potiguar. A iniciativa, porém, foi suspensa pela empresa em março. 

Ao contrário da Equinor e outras grandes empresas do petróleo, como BP Energy, Shell e Total, a Petrobras está cada vez mais se concentrando na exploração e produção de petróleo e gás, ao mesmo tempo que destina uma parcela residual de seus investimentos para pesquisa e desenvolvimento de energia renovável. 

Um exemplo é um projeto de desenvolvimento de aerogeradores de águas profundas em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (USP).  

Outro projeto apresentado ao Ibama é um parque eólico de 1,2 GW a ser instalado pela Comércio de Energia Camocim Offshore Eirelli, no estado do Ceará. Será composto por 100 aerogeradores de 12MW cada. 

Em seu roteiro eólico offshore, publicado em abril, a empresa brasileira de pesquisa de energia (EPE) disse que o setor tem a possibilidade de atrair empresas internacionais de petróleo com expertise offshore como Equinor e Shell. 

“Os estudos de potencial realizados pela EPE apontam para a existência de um potencial técnico da ordem dos 700GW em áreas com lâmina d’água até 50m”, afirma o relatório.

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