Economia

Comércio bilateral com os EUA atinge recorde histórico

Desemprego eua

Depois de cair mais de 20% em meio ao choque da pandemia em 2020, o comércio bilateral Brasil-Estados Unidos se recuperou mais do que o esperado no ano passado e atingiu uma alta histórica de US$ 70,5 bilhões. Isso significa um crescimento de 43% ano a ano, ou 9,3% a mais que o valor visto em 2019, de US$ 64,5 bilhões.

Os dados são do Monitor de Comércio EUA-Brasil elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). “Esperávamos alguma recuperação após a queda observada em 2020, mas isso é muito substancial”, disse Abrão Árabe Neto, vice-presidente executivo da Ancham Brasil.

O Brasil, que normalmente tem uma balança comercial deficitária com os EUA, registrou saldo negativo recorde também em 2021, de US$ 8,3 bilhões. Esse déficit foi o maior do país com um parceiro comercial no ano passado, disse a Amcham.

Os EUA continuaram como o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com 14,1% de participação em 2021, atrás da China. O gigante asiático responde por 27,1% do bolo.

As exportações brasileiras para os EUA atingiram o valor sem precedentes de US$ 31,1 bilhões no ano passado, um aumento de 4,7% em relação a 2019, antes da pandemia. Eles foram impulsionados pelo aumento dos preços em setores como aço e petróleo e aumento da demanda dos EUA. “A demanda doméstica voltou a aquecer nos EUA, o que vem impulsionando as exportações”, disse Árabe Neto.

As importações brasileiras totalizaram US$ 39,4 bilhões, um aumento de 13% em relação a 2019, um recorde histórico impulsionado por fatores mais amplos. O resultado foi impulsionado pelas compras de gás natural e vacinas para enfrentar a crise hídrica e a pandemia, respectivamente. O pico anterior, de US$ 36 bilhões, havia sido observado em 2013.

As compras de gás natural dos EUA, que cresceram 2.330% em relação a 2020 e totalizaram US$ 3,3 bilhões no ano passado, alimentaram as usinas termelétricas brasileiras. O Brasil foi o quarto maior comprador mundial de gás liquefeito dos EUA em 2021, disse a Amcham. “Em valor, o gás líquido foi o segundo produto brasileiro mais importado dos EUA Se olharmos para outros anos, as importações foram muito baixas: US$ 244 milhões em 2018, US$ 269 milhões em 2019, US$ 135 milhões em 2020”, disse Árabe Neto.

A vacinação em massa do Brasil contra a Covid-19 levou a um aumento de 406% nas importações de vacinas em 2021, em relação a 2020, totalizando US$ 2,3 bilhões. Os combustíveis de petróleo, no entanto, continuaram sendo o principal produto importado pelo Brasil (US$ 7,4 bilhões).

A Amcham projeta um aumento moderado no comércio bilateral Brasil-EUA ao longo de 2022. “Há um grau considerável de incerteza em todo o mundo”, disse Árabe Neto. Por um lado, o desempenho da economia e do comércio global tende a se manter positivo, embora em ritmo mais lento do que em 2021.

As oportunidades abertas pelo plano multibilionário de infraestrutura de Joe Biden, um real desvalorizado em relação ao dólar este ano e os altos preços de produtos-chave como petróleo e celulose devem impulsionar as exportações brasileiras para os EUA. ser impactado por uma incerteza considerável associada a possíveis novas ondas da pandemia, inflação rápida, desaceleração da China, falhas na cadeia de suprimentos e eventos geopolíticos e climáticos.

Incertezas como as impostas pelas eleições no Brasil afetam as expectativas dos agentes econômicos, disse Árabe Neto. Mas ele também diz que as empresas expostas ao comércio bilateral Brasil-EUA já têm operações consolidadas. “É claro que o cenário político tem influência relevante no comércio internacional e nos investimentos, mas continuaremos tendo aspectos favoráveis ​​ao comércio bilateral”, disse.

Do ponto de vista dos EUA, disse ele, o Brasil também se mostrou um parceiro relevante. “Entre os principais destinos de exportação dos EUA, o Brasil foi o segundo que mais cresceu. O Brasil não está no top 10 das importações americanas [em valores], mas foi o segundo que mais cresceu em termos relativos”, disse Árabe Neto.

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