Política

Com início difícil, Brasil se prepara para eleições presidenciais em 2022

Janeiro marca o início de um ano eleitoral que poderá ver Jair Bolsonaro reeleito como presidente do Brasil. As pesquisas mostram que ele não terá vida fácil. 

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva lidera Bolsonaro com mais de 15%, com clara possibilidade de vitória no primeiro turno, em 2 de outubro. Mas ainda é cedo para previsões. Atrás deles estão o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, e o ex-governador do Ceará, de centro-esquerda, Ciro Gomes.

Os efeitos da pandemia na economia ainda são fortemente sentidos, com a inflação continuando a subir. Bolsonaro terá decisões difíceis a tomar, como reajustes no setor público, principalmente entre os policiais, uma de suas mais importantes bases de apoio.

Mil cortes

orçamento do ano foi aprovado  em 24 de janeiro, com fortes cortes na educação e no Ministério do Trabalho, que em tese é o responsável pela recuperação econômica. 

Até os hospitais federais sofreram um corte de 100 milhões de reais em meio à pandemia, e a Fundação Oswaldo Cruz, grupo que produz e desenvolveu vacinas, também sofreu um corte pesado.

O Centrão, poderoso grupo de partidos e políticos conservadores no Congresso Nacional, foi o vencedor, recebendo grande parte do orçamento. Três partidos do Centrão controlam quase 150 bilhões do orçamento.

Os recursos para populações indígenas, combate a incêndios florestais e para comunidades quilombolas, onde vivem os afrodescendentes de escravos fugidos, também foram drasticamente reduzidos, assim como o orçamento para políticas centradas nas mulheres.

O ano de 2020 no Brasil começou com uma onda de passageiros de companhias aéreas infectados por COVID viajando para as férias. E como no final do ano passado, o país também enfrentou inundações. Se a Bahia foi a principal vítima em dezembro, em janeiro foi o estado de Minas Gerais, onde as fortes chuvas aumentaram o medo de tragédias como as de Mariana e Brumadinho, onde barragens de minério se romperam, causando mortes e destruição. O estado do Tocantins também foi afetado pelas fortes chuvas .

E como diz o ditado, uma má notícia traz mais más notícias. O carnaval, a principal festa anual do país, foi cancelado  ou quase. Não haverá festas de rua nas capitais brasileiras. O samba não será ouvido no Rio de Janeiro. Frevo não será jogado em Recife. 

Os desfiles das escolas de samba continuarão em abril, porém, graças aos passaportes vacinais e muito esforço para evitar o contágio. O número de casos de COVID não parou de crescer desde que a variante Omicron chegou ao país.

Resistência do governo às vacinas

A vacinação no Brasil, pelo menos, avançou. Agora são as crianças que estão sendo vacinadas , apesar da resistência do governo, cujo Ministério da Saúde mais uma vez defendeu o uso da hidroxicloroquina como tratamento enquanto afirmava que a vacina não funciona.

Alguns dias antes, Bolsonaro voltou a minimizar os efeitos da pandemia e disse que a variante Omicron seria “ bem-vinda ”.

Como no passado, a vacinação de crianças começou em São Paulo por insistência do governador João Dória e apesar dos protestos do governo federal. A primeira criança vacinada foi Davi Seremramiwe Xavante, 8 anos, da comunidade indígena Xavante, que está em tratamento médico para uma doença rara em São Paulo.

Em vários estados brasileiros, o número de crianças hospitalizadas tem aumentado  junto com o número de óbitos. No Distrito Federal, onde fica a capital Brasília, as crianças têm sido intubadas em salas de emergência por falta de espaço nas unidades de terapia intensiva. A COVID já é a segunda principal causa de morte de crianças no país.

Ainda sobre a questão da saúde, o sistema do Ministério da Saúde que foi atacado por hackers no ano passado ainda ficou offline durante parte do mês, levantando suspeitas de que se tratava de um trabalho interno, ou seja, uma ação do próprio governo para impedir a introdução do passaporte vacinal e também minimizar o número de casos e óbitos.

Apesar dos melhores esforços do governo para prejudicar a campanha de vacinação, mesmo instituições historicamente reconhecidas como corruptas e problemáticas, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) parecem ter percebido a gravidade da pandemia. A CBF decidiu que apenas jogadores vacinados poderão participar dos campeonatos estaduais (muitos iniciados em janeiro) em todo o país.

Voltar ao Topo