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Casco da plataforma P-68 chega ao ES e traz otimismo ao setor naval

Atracou no Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), na manhã desta quarta-feira (21), o casco da plataforma contratada pela Petrobras, a P-68. Ela saiu do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, no dia 8 de dezembro e vai ser finalizada no Espírito Santo.

Depois de um ano difícil no país e no estado para setores como de petróleo, naval e metalmecânico, a chegada do casco trouxe mais otimismo para esses segmentos.

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Aliás, ter a embarcação no Espírito Santo representa a continuidade da operação do estaleiro asiático, que em função da crise econômica, do momento de baixa do preço do barril do petróleo no mundo e dos escândalos envolvendo a Petrobras, acabou sendo impactado e tendo suas atividades reduzidas.

Para empresários, profissionais e especialistas, a notícia é bem-vinda e traz alívio visto o cenário pelo qual passam diversas empresas do ramo. Sem os projetos da Petrobras, o setor naval brasileiro afundou nos últimos dois anos e estaleiros do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, por exemplo, sofreram com cancelamentos de contratos, demissões em massa e até mesmo pedidos de recuperação judicial.

Inclusive, o estaleiro onde o casco da P-68 foi construído, o Rio Grande, faz parte dessa lista. Com uma dívida de cerca de R$ 8 bilhões, o estaleiro – da empresa Ecovix – demitiu, na semana passada, 3.200 empregados e deu entrada no pedido de recuperação judicial.

“Desde a crise com a Petrobras e a falta de cumprimento da lei de conteúdo local, os estaleiros estão passando por grandes dificuldades. Por isso, se esse   casco  da P-68 não tivesse chegado, talvez poderíamos vivenciar o que outros locais estão enfrentando. A P-68 traz oxigênio e esperança de mais atividades na Jurong”, afirmou o presidente do Sindimetal-ES, Roberto Pereira de Souza.

Quem também tem uma avaliação nesse sentido é o consultor da DVF, Durval Freitas. Para ele, ter um empreendimento do porte do EJA – que recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão – ocioso é prejudicial.

“As atividades ligadas à construção dessa plataforma representam a retomada da movimentação da economia e da demanda da cadeia de fornecedores, além da criação de empregos, geração de renda e estímulo à inovação e à tecnologia”, disse.

O Estaleiro Jurong Aracruz, que emprega cerca de 1.500 profissionais, será responsável por construir e integrar os módulos da P-68, um FPSO (unidade que produz, armazena e transfere óleo) contratado pela Petrobras para operar no pré-sal da Bacia de Santos. A embarcação terá a capacidade de produzir até 150 mil barris de petróleo por dia.

Mesmo antes de chegar ao litoral Norte capixaba, o EJA já vinha trabalhando na construção dos módulos, que continuarão sendo preparados em terra para, após alguns trâmites naturais do processo relativo ao casco, poderem começar a serem integrados ao navio.

O casco tem 288 metros de comprimento, 54 metros de largura e 31,5 metros de altura, e pesa 353 mil toneladas. Procurada, a Jurong não retornou a demanda da reportagem.

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