Economia

Braskem avança com plano de venda de ações em bolsa

braskem

Em importante saudação aos credores e sócia Petrobras, a Novonor (antiga Odebrecht) formalizou a intenção de fazer uma oferta secundária de venda de sua participação de 22,92% nas ações preferenciais da Braskem ou de parte dela. Novonor também deu luz verde ao plano da empresa de migrar para o Novo Mercado, o segmento de governança mais estrito do B3.

Ao mesmo tempo, a Braskem confirmou o pagamento de R$ 6 bilhões em dividendos, movimento bastante antecipado. Embora o pagamento tenha data definida, o momento da oferta das ações ainda é incerto – e é improvável que ocorra em 2021, disseram fontes ao Valor.

Ao preço da ação preferencial classe A no fechamento desta quinta-feira, a oferta poderia arrecadar R $ 4,6 bilhões considerando apenas a venda da participação do controlador. O grupo também detém 50,1% das ações ordinárias da petroquímica, participação avaliada em R $ 12,2 bilhões pelas cotações de quinta-feira.

Segundo maior acionista da Braskem, a Petrobras detém 21,93% das ações preferenciais e 47% das ações ordinárias, e também deve se desfazer das ações em bolsa, como fez com a BR Distribuidora (hoje Vibra Energia). A estatal petrolífera contratou o JP Morgan para assessorá-la na venda e recentemente afirmou que busca uma venda “integral” de sua participação.

A alternativa de vender a Braskem em bolsa ganhou força depois que a proposta original da Novonor, que contratou o Morgan Stanley para buscar interessados ​​em uma operação tradicional de M&A, não resultou em uma oferta atraente pela petroquímica.

Houve propostas, mas nenhuma que atinja o valor alcançado pela empresa em bolsa – a Braskem caminha para encerrar 2021 com resultados históricos e as ações preferenciais estavam cotadas a R $ 70,17 em meados de setembro. De lá para cá, as ações perderam um pouco fôlego, mas ainda apresentam desempenho muito melhor do que o índice de referência Ibovespa.

Novonor e Petrobras vêm tentando acertar um cronograma de venda, que pode ocorrer em mais de uma etapa, para evitar pressões nas cotações da bolsa e atender aos interesses da Petrobras, dos bancos credores da Novonor e do próprio grupo.

Neste momento, segundo uma fonte, o modelo que mais agrada a Novonor e a Petrobras é a migração para o Novo Mercado e, a seguir, uma oferta secundária de ações ordinárias. Dessa forma, os acionistas não deixariam na mesa o valor a ser desbloqueado com a listagem no Novo Mercado.

Mas ainda não há um acordo fechado e houve pressão dos bancos para que pelo menos parte das ações preferenciais detidas pela Novonor sejam vendidas antes da migração, disse outra fonte. Mas uma venda, mesmo uma venda parcial, de ações preferenciais detidas pela Novonor ou Petrobras neste momento não é vista como viável porque as condições de mercado pioraram recentemente. Há menos de um mês, quando as ações preferenciais eram negociadas a cerca de R $ 48 no B3, a administração da empresa disse que o preço estava nos “níveis da Black Friday” e analistas recomendaram novamente a compra das ações, destacando o “desconto excessivo”.

Mesmo que não haja oferta imediata, com a carta à Braskem, a Novonor tem sinalizado de forma concreta aos credores, no prazo acertado no plano de recuperação judicial protocolado em julho passado, que busca uma porta de saída da petroquímica empresa.

Fontes dizem que o prazo inicial para a venda das ações é dezembro de 2021. Isso pode ser adiado até 2023 se os bancos que têm cerca de R $ 14 bilhões para receber da Novonor concordarem com a prorrogação.

A Novonor vinha discutindo a venda com Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) desde pelo menos setembro e, para a empresa, a alternativa mais eficiente era uma oferta secundária. Naquela época, o grupo considerava que a oferta ainda era viável em 2021.

Foi a primeira vez que a Novonor admitiu para a sua subsidiária que estava sobre a mesa uma operação de bolsa. Formalmente, durante as discussões para a venda da Braskem, a última informação era que o Morgan Stanley estava em busca de um ou mais compradores para a empresa.

Considerando os prazos, a migração pode se concretizar no primeiro trimestre de 2022, possibilitando uma oferta secundária de ações ordinárias no primeiro semestre – antes do início do período eleitoral, que normalmente fecha a “janela de mercado”.

Em teleconferência com analistas no início de novembro, Pedro Freitas, diretor financeiro, de compras e relações institucionais da Braskem, lembrou que a petroquímica vem fazendo melhorias na governança corporativa, como a criação do comitê de compliance e auditoria, na linha com os requisitos das regras americanas e do Novo Mercado no Brasil. No entanto, o executivo disse ainda que não houve naquele momento um trabalho efetivo com vista à migração para o segmento de governança mais estrito da B3.

“Antigamente, a Braskem estudava a migração para o Novo Mercado e sabemos que isso leva de dois a três meses”, disse Freitas.

Braskem e Novonor não quiseram comentar. A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Voltar ao Topo