Política

Brasil vai abrir novas missões diplomáticas

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Depois de vários anos congelando ou encolhendo as missões diplomáticas brasileiras no exterior, com o fechamento das embaixadas abertas durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), o Itamaraty pretende expandir novamente sua rede. O plano é abrir três ou quatro consulados-gerais e repartições consulares em 2022.

Carlos França — Foto: Arthur Max/MRE

Carlos França — Foto: Arthur Max/MRE

Para viabilizar novas missões, o chanceler Carlos França pediu à equipe econômica um orçamento de quase R $ 2,3 bilhões para o próximo ano. Neste ano, o Itamaraty tem R $ 1,7 bilhão – sem contar despesas obrigatórias, como salários. Cerca de 90% desse orçamento é executado em dólares.

Dois novos consulados serão criados nos Estados Unidos e na China, em cidades conhecidas como polos de desenvolvimento tecnológico e inovação, onde estão instaladas importantes empresas.

Uma delas abrirá as portas em Chengdu, na província de Sichuan, uma das regiões de alta tecnologia do país asiático. Hoje, além da embaixada em Pequim, o Brasil tem consulados em Xangai e Guangzhou.

Nos Estados Unidos, embora a decisão final ainda não tenha sido tomada, Seattle tem as melhores chances de receber a nova missão diplomática por abrigar pesos pesados ​​da indústria e da tecnologia como Microsoft, Amazon, Boeing e Expedia.

Segundo assessores do Itamaraty, as escolhas refletem uma diplomacia mais pragmática, voltada para a atração de investimentos e parcerias econômicas. Eles não veem relação com a rápida abertura de missões no exterior observada durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003 a 2016).

No auge dessas administrações anteriores, o Brasil contava com uma rede de 223 missões diplomáticas – incluindo embaixadas, consulados, escritórios e missões em organismos internacionais. Durante o período, houve uma expansão significativa das missões diplomáticas na África e no Caribe.

Essa rede mais ampla era vista como fundamental não só para apoiar a internacionalização das empresas brasileiras e fortalecer os laços comerciais, mas também para aumentar as chances de sucesso nas campanhas do país no exterior, que poderiam ir desde a eleição para presidir entidades multilaterais (como a OMC e FAO) à disputa pela sede dos Jogos Olímpicos de verão. O Brasil também teve como prioridade conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A administração Bolsonaro encerrou oito missões, incluindo sete embaixadas. Cinco deles estavam localizados no Caribe (Saint Kitts e Nevis, São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda, Dominica e Grenada) e dois na África (Serra Leoa e Libéria). O consulado-geral na Cidade do México também foi fechado e agora funciona em conjunto com a embaixada no país.

No novo plano de expansão, além de Chengdu e provavelmente Seattle, deverão ser abertas duas repartições consulares (com estruturas mais enxutas e sem o mesmo grau de autonomia dos consulados-gerais). Um está previsto para Orlando, na Flórida, com o objetivo de desonerar o consulado em Miami e agilizar o atendimento aos brasileiros que enfrentam perda de passaportes e problemas de imigração, por exemplo.

O outro escritório seria em Jerusalém, onde o turismo evangélico disparou antes da pandemia, gerando esse mesmo tipo de demanda. Além disso, a abertura da missão apoiaria a narrativa do governo de que a embaixada em Tel Aviv ainda não foi transferida para Jerusalém, como Bolsonaro prometeu na campanha presidencial de 2018 para agradar seus eleitores, mas algumas medidas estão sendo tomadas. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos já instalou um escritório comercial na cidade.

Se Bolsonaro for reeleito, o ministro França planeja abrir outras missões a partir de 2023. Na lista está um novo consulado no Reino Unido, já que todas as atividades agora estão concentradas na embaixada em Londres e a comunidade brasileira tem crescido no país.

A construção de uma nova embaixada brasileira em Pequim também está nos planos. O prédio atual, inaugurado como missão diplomática em 1974, está localizado em uma antiga área de embaixadas da capital chinesa e longe de onde hoje estão as missões dos Estados Unidos, Canadá e países europeus. “Parece mais uma casa que costumava ser grande e teve alguns prédios pequenos adicionados para se tornar uma embaixada”, disse um diplomata.

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