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Brasil trabalhando para manter o pré-sal relevante

A Epe, empresa de pesquisa energética do governo brasileiro, prevê uma taxa de crescimento mais modesta para a produção de petróleo bruto em sua última previsão de 10 anos, reduzindo a média para 4,201 milhões b / d em 2021-30 de uma meta pré-pandêmica de 4,563 milhões b / d . A diretora de petróleo e gás da Epe, Heloísa Borges Esteves, compartilhou ideias sobre as perspectivas com o correspondente freelance da Argus, Nathan Walters. Os destaques editados a seguir.

Como as diferentes projeções de pico de demanda de petróleo influenciam os estudos da Epe sobre a produção brasileira de petróleo?

Esperamos que a demanda global de petróleo cresça a taxas mais baixas e vemos isso se traduzindo em um risco de comercialização para o petróleo brasileiro. Consideramos a possibilidade de aumento da competição por vendas. Obviamente, para o Brasil, em nosso plano atual, não esperamos que o consumo doméstico de petróleo chegue ao pico antes de 2050. Nossas previsões de produção não são impactadas diretamente pelas estimativas de pico de demanda de petróleo. Em nosso cenário base, acreditamos que o mercado brasileiro de petróleo ainda usará muito petróleo e que o petróleo continuará sendo um produto chave.

A produção doméstica está prevista para atingir um pico de cerca de 5 milhões b / d em 2030 e, em seguida, estagnar em cerca de 5,5 milhões b / d até 2050, com base nas suposições atuais .

Estamos trabalhando em estratégias para manter a competitividade. O pré-sal é competitivo agora, como vamos mantê-lo competitivo até 2050? Sob a diretriz do Ministério de Minas e Energia do Brasil, a Epe está preparando um plano estratégico de longo prazo que deve ser aprovado até o final do ano.

A previsão da Epe até 2030 parece mais otimista do que alguns poderiam esperar alguns meses atrás. O que a agência estava vendo que lhe deu confiança nas projeções? E que desdobramentos podem mudar fundamentalmente a visão da Epe?

Estamos um pouco otimistas, mas temos que ser para garantir os recursos energéticos. Não podemos atrapalhar o desenvolvimento energético do Brasil. Fizemos um esforço extra preparando estudos em circunstâncias únicas. Geralmente, para os estudos de 10 anos, consideramos os planos de cinco anos aprovados, e os outros cinco anos é a premissa da Epe. Tentamos ser mais específicos com as empresas. Tivemos reuniões individuais com cada empresa para entender sua estratégia para projetos em andamento. Também tentamos ser conservadores. Cerca de 80% da produção sob os estudos vem de projetos do pré-sal já em andamento, e o pré-sal, mesmo na situação atual, é muito resiliente. Os outros 20pc são pós-sal, e com isso estamos muito confiantes no potencial da bacia de Sergipe-Alagoas.

Como as mudanças regulatórias, como os termos do contrato upstream e o fator de abertura do gás natural, na previsão atual da Epe?

Há um consenso geral de que é necessário melhorar a atratividade para reter o investimento. Ainda achamos que o Brasil será atraente para investidores. Quando olhamos para contratos futuros, temos que decidir o que fazer com os contratos existentes. Portanto, se você fizer uma alteração no contrato, uma empresa pode solicitar o mesmo benefício para os contratos existentes. A ANP acaba de abrir consulta pública para redução de royalties para pequenas e médias empresas. Se funcionar e ajudar as empresas a aumentar a produção, teremos que ver que impacto isso terá em nossas projeções.

Acreditamos que a iniciativa do mercado de gás deve continuar a ter um impacto positivo. O gás natural foi a única previsão de produção superior em comparação com o estudo anterior. Vemos isso como resultado de expectativas positivas com o novo mercado de gás. Para o Brasil, vemos uma oportunidade de usar o gás para impulsionar nossa transição energética. Ainda temos indústrias que operam com coque de petróleo, óleo combustível e se você olhar o cenário de demanda de energia ainda temos muitos consumidores privados e indústrias que utilizam madeira. Podemos incluir o gás natural na estratégia de longo prazo. No caso brasileiro, ressaltamos que ter gás natural poderia ter sinergia com o hidrogênio e outros setores industriais. Esta década é muito importante para o futuro. Se não nos movermos rápido,

Quão confiante está o governo de que pode atrair interesse para novas áreas de exploração?

Faz parte da evolução do setor. Vemos mais empresas, mais diversidade de operadoras, o que é parte do resultado de ter uma política de upstream de sucesso. A política que o governo brasileiro vem implantando desde 2017 resultará em cada vez mais atores. E começaram em áreas mais conhecidas como Campos ou Santos, mas a Epe espera que sigamos avançando para fronteiras mais exploratórias. É natural que mais jogadores comecem a se mover em direção a eles também.

A Petrobras está agora vendendo cerca de metade de sua capacidade de refino nacional. Qual o impacto das mudanças no mercado doméstico de refino nas estimativas de produção de petróleo?

No modelo, a mudança de proprietários das refinarias não deve impactar muito a produção nacional de petróleo e, nos próximos anos, veremos os mercados globais absorvendo mais a produção brasileira. Dependendo de quem compra as refinarias, essas empresas podem ter estratégias de refino diferentes. Em relatório recente do governo, a ANP (reguladora do petróleo) foi aconselhada a prestar muita atenção ao abastecimento interno. Mas agora pensamos que as mudanças no mercado de refino serão boas para o mercado nacional de derivados.

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