Economia

Brasil produzirá 141 milhões de toneladas de soja em 2021-22 em área recorde

O Brasil está previsto para produzir um volume recorde de soja de 141 milhões de toneladas no ano comercial de 2021-22 (fevereiro de 2022 a janeiro de 2023) em uma área recorde de 40 milhões de hectares, de acordo com o Serviço de Agricultura Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que é provavelmente pressionará a demanda por soja originária dos EUA na próxima safra.

A expansão da soja está prevista nas atuais condições e tendências do mercado – incluindo forte demanda, preços altos e uma taxa de câmbio favorável, disse a FAS. Todas essas condições devem persistir na temporada 2021-22, disse o relatório divulgado em 6 de abril.

O Brasil é o principal produtor e exportador de soja, respondendo por mais de um terço da produção mundial de soja.

Um fator chave que irá impulsionar a expansão da área plantada na próxima temporada e além é a disponibilidade de terras aráveis, disse a FAS. A CONAB estima que, nas últimas cinco safras, a área plantada de soja acumulada no Brasil cresceu quase 13%, ou 4,55 milhões de hectares.

O Instituto de Economia Agrícola de Mato Grosso (IMEA) estima que, até 2030, a área plantada de soja em Mato Grosso crescerá mais de 40%, para 14,79 milhões de ha, ante pouco mais de 10,3 milhões de ha em 2021. Na safra 2021-22, o A área de plantio de soja em Mato Grosso – maior fornecedor de soja do Brasil – vai expandir cerca de 3% no ano, disse a FAS.

Demanda robusta

Os produtores de soja brasileiros continuarão a receber apoio da moeda doméstica fraca, alimentando o boom das exportações, disseram analistas de mercado. A demanda doméstica por oleaginosas também deve crescer, com o aumento do consumo de óleo e farelo.

A demanda global de soja provavelmente continuará a crescer exponencialmente, já que a commodity é usada em alimentos, rações e combustível, disse a FAS citando fontes. O mercado brasileiro antecipa que a soja será cada vez mais usada na produção de biodiesel com o crescente impulso por fontes de energia renováveis ​​e sustentáveis, disse.

Ao mesmo tempo, espera-se que o aumento do consumo de carne crie uma demanda adicional de ração.

Na China e na Europa – principais importadores de soja – apesar da expectativa de desaceleração econômica contínua, o consumo de carne não deverá sofrer uma queda dramática, disse a FAS.

A China tem sido o principal impulsionador das fortes vendas de exportação de soja do Brasil nos últimos anos e o país asiático provavelmente continuará sendo o maior comprador de oleaginosas do Brasil nos próximos anos.

É improvável que a China retraia significativamente as compras de soja brasileira, por causa das relações estabelecidas e por causa da relação inerentemente menos politicamente carregada entre Brasília e Pequim, disse a FAS.

Taxa de câmbio favorável

Devido à recessão econômica induzida pela pandemia, a moeda brasileira, o real (BRL) caiu mais de 30% de seu valor no ano de 2020.

A maioria dos analistas prevê atualmente que o real brasileiro permanecerá fraco nos próximos dois anos, já que a economia do Brasil continua atolada pela pandemia, uma campanha de vacinação lenta e recursos governamentais limitados, disse a FAS.

A forte desvalorização do real teve um impacto positivo sobre os preços das commodities brasileiras, disse a FAS. Por exemplo, de fevereiro de 2020 a fevereiro de 2021, o preço médio da saca de 60 quilos (kg) de soja no Porto de Paranaguá subiu 90% no ano, quando avaliada em reais, para R $ 166,32 a saca de 60 quilos, disse.

Esmagamento doméstico

A FAS prevê 48 milhões de toneladas de soja destinadas ao processamento no período 2021-22, um aumento de pouco mais de 2% sobre a estimativa de 2020-21 de 47 milhões de toneladas.

A expansão prevista está em linha com a taxa de crescimento média de cinco anos, disse o relatório. A expansão se baseia na oferta de soja disponível e na demanda crescente por óleo e farelo de soja no mercado interno, bem como na demanda de exportação, que será sustentada pela contínua fraqueza do real brasileiro.

A FAS prevê a produção de farelo de soja para 2021-22 em 36,9 milhões de toneladas, acima dos estimados 36,15 milhões de toneladas em 2020-21.

Prevê-se que o consumo doméstico de farelo de soja aumente cerca de 3% ano a ano nas safras atual e nas próximas, disse o relatório. A demanda doméstica de farinhas crescerá de acordo com um recente aumento na produção de carne bovina e suína entre 2% -3%, disse a FAS.

Para 2021-22, a FAS prevê a produção de óleo de soja em 9,5 milhões de toneladas.

O consumo doméstico de petróleo deve aumentar para 9,1 milhões de toneladas em 2021-22, ante 8,4 milhões de toneladas na temporada atual, disse o relatório.

De acordo com o USDA, a maior produção e consumo de óleo de soja no Brasil baseiam-se principalmente em mandatos mais altos de mistura de biodiesel.

A taxa atual do Brasil está definida em 13%, ou B13, e está programada para aumentar para B14 em 2022.

Exportações

As exportações de soja do Brasil no ano de comercialização de 2021-22 estão estimadas em 87 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas a mais ano a ano, disse a FAS. A previsão é baseada na oferta disponível e uma taxa de câmbio favorável, disse.

A FAS antecipa a fraqueza contínua do real brasileiro para apoiar as exportações de soja em meio à esperada economia doméstica lenta, às voltas com os efeitos colaterais da pandemia do coronavírus.

Voltar ao Topo