Petróleo

Brasil ganha maior participação de petróleo da TotalEnergies

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A TotalEnergies deu um importante passo para fortalecer sua presença no Brasil em dezembro, quando comprou parte do excedente de cessão de direitos dos campos de Sépia e Atapu, no pré-sal profundo offshore, por R$ 2,9 bilhões em pagamentos de bônus de assinatura. A petrolífera francesa espera que os novos ativos dêem frutos este ano. O CEO Patrick Pouyanné disse ao Valor que, com as aquisições, o Brasil responderá por 10% da produção da empresa até 2023.

Com ambições de crescimento em petróleo e gás e renováveis, a TotalEnergies planeja investir cerca de US$ 1 bilhão por ano no Brasil nos próximos cinco anos.

A TotalEnergies, anteriormente conhecida como Total, mudou seu nome ao adotar a transição energética. Em 2021, a multinacional lançou um plano de negócios que visa consolidá-la como uma empresa de energia cada vez menos dependente do petróleo. A empresa francesa prevê que a demanda pela commodity atingirá o pico até o final desta década.

Em visita ao Brasil, onde se reuniu com a Petrobras na semana passada para discutir os novos planos para os campos de Sépia e Atapu, Pouyanné disse ao Valor que a empresa decidiu dobrar a aposta no pré-sal porque os ativos recém-adquiridos “se encaixam bem” na estratégia da petroleira de buscar projetos com custos e emissões cada vez menores.

“E não há milagre: baixo custo significa campos gigantes, e podemos encontrar isso aqui no Brasil”, disse.

O executivo diz que a multinacional se interessou pelos ativos em 2019, na primeira tentativa do governo de leiloá-los, mas os pagamentos de bônus de assinatura cobrados eram muito caros na época. Para a rodada de 2021, os prazos de licitação foram reduzidos em 70%. “Dois anos depois voltamos, as condições eram muito aceitáveis, então dissemos ‘ok, é uma grande oportunidade’”, disse ele.

O Sr. Pouyanné defende a necessidade de continuidade dos investimentos em petróleo e gás para que a transição energética não seja comprometida. A TotalEnergies planeja investir de US$ 13 bilhões a US$ 15 bilhões por ano até 2025, 25% dos quais em energias renováveis. Metade do orçamento geral da empresa será destinado ao crescimento, com foco em gás e energias renováveis. A outra metade será focada na manutenção da base de atividades, principalmente a produção de petróleo.

Se a indústria petrolífera não investir, disse o executivo, a produção global começará a cair e a gerar pressão sobre os preços ao consumidor em uma economia global ainda dependente de fósseis. Segundo ele, os preços mais altos da energia podem levantar questionamentos sobre a transição energética, por parte da sociedade, e trazer riscos à descarbonização. “As pessoas vão discordar e se perguntar ‘por que eu deveria pagar mais?’ A energia é uma necessidade fundamental, as pessoas precisam de energia para se movimentar, comer, viver.”

Os campos de Sépia e Atapu fortalecerão o portfólio de ativos da empresa francesa no Brasil. A TotalEnergies encerrou 2021 com uma produção de óleo e gás de 60 mil barris diários de óleo equivalente (BOE/dia), em média, segundo dados da ANP. A multinacional não divulga a projeção para os próximos anos, mas espera que os dois novos ativos contribuam com 30.000 BOE/dia para a produção da empresa este ano e com 50.000 BOE/dia em 2023. A empresa terá participação de 15% na Depósito compartilhado de Atapu (que unifica a transferência ou sobra de direitos e a concessão Oeste de Atapu, onde a empresa já tinha participação). A participação da empresa na Sépia totaliza 16,91%.

A produção da empresa no Brasil também será reforçada por quatro plataformas programadas para entrar em operação até 2025 no campo de Mero, na Bacia de Santos, onde a multinacional é sócia da Petrobras com 20% de participação. A primeira unidade deverá entrar em operação ainda este ano. A TotalEnergies é, hoje, a única petroleira (além da estatal brasileira) a operar um campo em fase de produção no pré-sal: Lapa, na Bacia de Santos, no qual a empresa francesa detém 45% de participação. Também é sócia da Petrobras nos campos de Sururu e Berbigão, com 22,5% de participação.

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