Petróleo

Brasil favorece biocombustíveis em vez de EVs para reduzir emissões

O Brasil está favorecendo os biocombustíveis em detrimento dos veículos elétricos (EVs) à medida que o governo mapeia sua estratégia de descarbonização de longo prazo para o setor de transportes.

Enquanto outros países buscam estratégias agressivas de EV, o governo brasileiro expressou seu compromisso com um plano de dascarbonização baseado em biocombustíveis, alinhando-o à posição da indústria de biocombustíveis.

“O aumento da eletrificação é inevitável. Já está em andamento em todo o mundo e vai acelerar com o tempo”, disse o secretário de petróleo, gás e biocombustíveis do ministério da Energia, José Mauro Coelho, em um webinar ‘Combustíveis do Futuro’. “Mas a questão é que tipo de eletrificação. No Brasil, vai ter que ser com biocombustíveis e vai ser uma bioeletrificação.”

Executivos do setor de biocombustíveis dizem que é improvável que os EVs plug-in decolem no Brasil porque os custos de eletricidade são muito altos, e seriam necessários grandes investimentos para a cobrança de infraestrutura.

“Nosso plano de energia de longo prazo (PNE) contém várias tecnologias e novas fontes de energia,como a célula de combustível de etanol, o combustível de hidrogênio, o biocombustível”, disse Coelho.

Combustíveis de gota, como o bio-querosene, que é intercambiável quimicamente com combustível a jato à base de petróleo, são vistos como a única solução para a descarbonização da indústria da aviação neste momento, disse Coelho, acrescentando que “não há motores elétricos que funcionem em um avião comercial hoje”.

Uma força-tarefa governamental liderada pelo Ministério de Minas e Energia realizará estudos nos próximos 180 dias e fará recomendações políticas ao Conselho Nacional de Política Energética CNPE sobre como reduzir as emissões de carbono no setor de transportes.

Pietro Mendes, diretor de biocombustíveis do ministério de minas e energia, acrescentou que é improvável que o Brasil dê incentivos fiscais para os EVs como fazem na Europa e nos EUA quando têm pegadas de carbono mais altas do que os veículos híbridos existentes que usam etanol no mercado agora no Brasil.

Mendes disse que o governo estava adotando uma abordagem completa do ciclo de vida para analisar a energia usada para alimentar veículos e transporte em seu estudo, o que significa que analisará a matéria-prima usada na geração de eletricidade que alimenta EVs plug-in, em vez de apenas as emissões geradas pela operação dos veículos.

“Um veículo híbrido flex, como o Corolla da Toyota, você recebe 29 gramas de CO2/km em emissões, enquanto um veículo elétrico médio na Europa, por exemplo, emite 54 gramas por quilômetro quando você considera as matérias-primas para a eletricidade usada para carregá-lo”, disse Mendes. “Por que o governo ajudaria a financiar o último?”

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