Óleo e Gás

Brasil enfrenta baixa oferta de combustíveis

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Uma queda acentuada nas importações de diesel e gasolina e o fato de o abastecimento doméstico do Brasil estar cada vez mais dependente das refinarias nacionais devem limitar a disponibilidade de combustíveis em novembro, enquanto os produtos em armazenamento flutuante devem aumentar na costa oeste da África.

A Petrobras informou aos varejistas de combustível que não poderia atender totalmente a demanda de novembro, disseram empresas de distribuição à Argus. Os clientes da Petrobras normalmente fazem a compra de volumes por meio de contratos em uma base mensal, com a opção de adquirir volumes adicionais no mercado à vista.

O setor de downstream espera uma crise de abastecimento particularmente severa para o diesel, já que as refinarias da Petrobras podem atender apenas 80pc da demanda do país.

As restrições de volume para aquisições no mercado à vista já se espelharam pelas refinarias em outubro, à medida que as distribuidoras reduziram drasticamente as importações e se voltaram para a Petrobras em busca de volumes adicionais. Para novembro, a Petrobras distribuirá o combustível contratado de maneira uniforme entre distribuidoras com base em seu consumo anterior.

A Petrobras confirmou que atendeu apenas parcialmente os volumes solicitados para o mês de novembro pelos varejistas de combustíveis, em função de um aumento na demanda acima do esperado para esta época do ano. Os volumes foram alocados entre os seus clientes de acordo com as regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), disse a companhia.

As distribuidoras estavam relutantes em recorrer a importações até esta semana, já que a diferença de preço entre as cargas importadas e os preços domésticos aumentou em até R$580/m³ ontem. “‘Quem vai piscar primeiro?’ tem sido o nome do jogo”, disse um trader de uma distribuidora.

Após o anúncio da Petrobras de redução de entregas em novembro, distribuidoras emitiram tenders para duas cargas combinadas de diesel e gasolina com datas de pronta-entrega.

Estoque flutuante alternativo

O aumento do risco de escassez em novembro e a procura por carregamentos para pronta-entrega acontecem junto do aumento na capacidade de armazenamento flutuante na costa oeste da África.

Pelo menos três empresas de trading devem estacionar navios de grande porte (VLCCs, na sigla em inglês) na costa do Togo no final de outubro. Os navios transportam carregamentos de diesel e destilados vindos de refinarias localizadas na Ásia e no Golfo Pérsico.

Nave Electron, fretado pela Unipec, deve chegar à costa oeste da África em 24 de outubro, seguido por Hunter e VI Renaissance, carregando produto pertecendo a Trafigura e Vitol, respectivamente. Os três navios transportam um total de 683.645m³ de diesel, gasóleo e óleo combustível.

Os três navios estarão prontos para realizar operações de transbordo entre navios para atender a um aumento na demanda por diesel dos mercados europeu e argentino, bem como um potencial aumento súbito na demanda brasileira, caso a baixa oferta force os varejistas de combustível a aumentar suas compras no mercado estrangeiro a preços de paridade internacional.

A arbitragem para diesel e outros destilados vindos da Ásia abriu em ambos os lados do Atlântico em meio à baixa oferta dos Estados Unidos e à forte demanda na Europa e no Brasil, incentivando a movimentação de VLCCs para a África Ocidental.

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