Economia

Brasil eleva taxa de juros pela nona vez consecutiva

O banco central do Brasil elevou sua taxa de juros pela nona vez consecutiva nesta quarta-feira, enquanto a maior economia da América Latina continua sofrendo com o aumento da inflação, agora exacerbada pela guerra na Ucrânia.

O comitê de política monetária do banco elevou a taxa Selic em um ponto percentual, para 11,75 por cento, em linha com as previsões de analistas, citando a inflação que “continuou a surpreender negativamente” os formuladores de políticas.

O Brasil travou um dos ciclos de aperto de juros mais agressivos do mundo, enquanto luta com a espiral de preços impulsionada pelas consequências da pandemia de coronavírus e agora a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O aumento mais recente diminuiu um pouco o ritmo de aperto monetário – os três aumentos anteriores da Selic haviam sido de 1,5 ponto percentual cada.

Mas o comitê “considera que, dadas suas previsões sobre o risco de as expectativas de inflação permanecerem acima da meta por um prazo mais longo, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente para um território ainda mais contracionista”, afirmou em comunicado.

A decisão foi unânime pelos nove membros do comitê. Ele disse que espera outro aumento “da mesma magnitude” em sua próxima reunião de definição de taxas, marcada para 3 e 4 de maio.

A taxa de inflação anual do Brasil está em 10,54%, muito acima da meta do banco central de 3,5%.

A economia saiu da recessão no quarto trimestre de 2021, mas continua lenta – e emergiu como um ponto fraco crucial para o presidente Jair Bolsonaro enquanto ele se prepara para buscar a reeleição em outubro.

A medida ocorreu no mesmo dia em que o Federal Reserve dos EUA elevou sua taxa de referência em um quarto de ponto, seu primeiro aumento desde dezembro de 2018.

Crise na Ucrânia é ‘substancial’ atingido

O Banco Central do Brasil alertou que as perspectivas internacionais “se deterioraram substancialmente” por causa da crise na Ucrânia.

Preços em alta e crescimento lento estão prejudicando as carteiras dos brasileiros e a popularidade de Jair Bolsonaro (foto em 15 de março de 2022) enquanto o presidente de extrema direita trava uma batalha difícil para ganhar a reeleição em outubro de 2022
Preços em alta e crescimento lento estão prejudicando as carteiras dos brasileiros e a popularidade de Jair Bolsonaro (foto em 15 de março de 2022) enquanto o presidente de extrema-direita trava uma batalha difícil para ganhar a reeleição em outubro de 2022 EVARISTO SA AFP/Arquivo

O espectro da inflação está assustando os formuladores de políticas em todo o mundo.

No Brasil, o problema parece destinado a piorar antes de melhorar.

Somando-se às pressões de preços, a estatal petrolífera Petrobras aumentou os preços da gasolina em 19 por cento e do diesel em 25 por cento na semana passada, citando o impacto da crise na Ucrânia nos mercados de petróleo.

O banco central iniciou seu ciclo de aperto há um ano, elevando rapidamente a taxa básica de uma mínima histórica de 2% introduzida para estimular a recuperação da pandemia da economia.

Os aumentos maciços ainda precisam reduzir substancialmente a inflação.

Enquanto isso, eles estão freando o crescimento econômico. A economia deve crescer apenas 0,49 por cento este ano, segundo analistas consultados pelo banco central.

Ele se recuperou da recessão para registrar um crescimento de 4,6% no ano passado, recuperando-se de uma dolorosa contração de 3,9% em 2020, atingido pela pandemia.

Preços em alta e crescimento lento estão prejudicando as carteiras dos brasileiros e a popularidade de Bolsonaro, enquanto o presidente de extrema-direita trava uma batalha difícil para ganhar a reeleição em sete meses.

Seu provável oponente, o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente lidera Bolsonaro por 44% a 26%, de acordo com uma pesquisa publicada quarta-feira pela Genial Investimentos e pela Quaest.

Voltar ao Topo