Óleo e Gás

Brasil avança com certificação de biometano

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Os produtores estão visando programas de certificação de biometano como forma de expandir ainda mais suas receitas. 

Esquemas de certificação de biogás devem se expandir à medida que a capacidade de produção do Brasil aumentar para 120 milhões de m³/d

Com os investimentos na produção de biogás aumentando exponencialmente no Brasil, os produtores procuram aproveitar os fluxos de receita adicionais oferecidos pelas certificações de energia renovável. A associação de produtores de biogás Abiogas está preparando seu próprio programa de certificação de biometano.

O setor de biogás do Brasil encerrou 2021 com cerca de 700 usinas, ante 670 em 2020. O país tem potencial para produzir até 120 milhões de m³/d de biogás e está a caminho de atingir 30 milhões de m³/d até 2030, segundo a Abiogas.

Os produtores estão visando programas de certificação de biometano como forma de expandir ainda mais suas receitas. No final do ano passado, o conglomerado agrícola Adecoagro foi autorizado pela agência de certificação local Instituto Totum a emitir os primeiros Gás-RECs do país – certificados de energia renovável para biogás. Esses certificados rastreiam a produção de biogás por meio de um sistema de book-and-claim, garantindo a sustentabilidade do combustível.

A Adecoagro, que também foi a primeira usina de cana a emitir créditos de carbono da CBio em 2020, emitiu os Gás-RECs de sua usina Ivinhema, no estado do Mato Grosso do Sul. A Adecoagro concluiu no ano passado um investimento na usina que permitiu transformar o biogás produzido a partir da vinhaça — subproduto do processo de moagem da cana — em biometano, que é comprimido e utilizado para abastecer uma pequena frota de veículos. O biometano substitui o diesel, reduzindo custos e diminuindo as emissões de CO2.

A empresa local de energia renovável Urca também está de olho no mercado de Gás-REC e planeja começar a emitir os certificados de sua planta de biometano no aterro de Seropedica, no estado do Rio de Janeiro, no futuro, disse o diretor executivo da Urca, Marcel Jorand, à Argus.

A ENC Energy, subsidiária da Urca, tornou-se recentemente a primeira empresa de geração de biogás a emitir RECs internacionais (I-RECs) no Brasil. Ela vendeu 254.000 I-RECs no ano passado para a Ecom Energy. ENC espera maior demanda por biogás I-RECs em 2022.

Levando em custódia

A Abiogas espera que o mercado de certificados de biometano se expanda à medida que a produção de biogás se expande. “Vemos uma demanda muito forte por biometano, mas também por certificados que rastreiam a origem e registros auditáveis ​​da cadeia de custódia”, disse o diretor executivo da agência, Tamar Roitman, à Argus. Ela acrescenta que os certificados têm potencial para desempenhar um papel decisivo na expansão do mercado.

A Abiogás está desenvolvendo seu próprio certificado, que permitirá aos consumidores que queiram declarar o uso de biometano em seus inventários de emissões. “Isso impulsionará a oferta gerando valor para os atributos renováveis ​​do biometano, recompensando os produtores pela produção de um combustível com pegada de carbono negativa”, diz Roitman. Roitman diz que o principal obstáculo para o crescimento do mercado de certificados de biometano no Brasil é a oferta limitada de biometano.

Para impulsionar a produção, o Brasil precisa de políticas públicas, incluindo a abertura do mercado de gás. Roitman também cita questões tributárias, como uma alíquota mais alta sobre o biometano do que o gás natural para o ICMS cobrado por alguns estados.

Ela acrescenta que a Abiogás lançou recentemente um fundo que oferecerá garantias financeiras a projetos de biogás em fase de construção. O objetivo é ajudar a financiar novos projetos, que enfrentam desafios no acesso às linhas de crédito tradicionais. O fundo está levantando 300 milhões de reais (US$ 57 milhões), o suficiente para financiar cerca de 16 novos projetos.

Além disso, as limitações do mercado geral de gás, que criam desafios para os fornecedores terceirizados acessarem o mercado atacadista, fazem com que os certificados de biometano se tornem uma forma de as empresas manterem seus atuais contratos de gás, contornando as dificuldades de acesso a gasodutos e início de operação. regulamentações, ao mesmo tempo que compensa o impacto ambiental do combustível fóssil.

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