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Bolsonaro troca ministro da Energia em meio a oscilação do preço dos combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro substituiu seu ministro da Energia poucos dias depois que a estatal Petrobras / SA ignorou seu apelo para não aumentar os preços dos combustíveis, que se tornou uma questão política importante antes de sua candidatura à reeleição em outubro.

Bento Albuquerque, que exerceu o cargo por mais de três anos, será substituído por Adolfo Sachsida, que mais recentemente atuou como assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo decreto publicado quarta-feira no Diário Oficial da União. Sachsida trabalhou no ministério durante todo o mandato de Bolsonaro.

A mudança foi sobretudo um gesto político de Bolsonaro, disse uma pessoa com conhecimento do assunto. O presidente quer mostrar publicamente que está tentando fazer algo contra o aumento dos preços dos combustíveis, disse a pessoa, pedindo para não ser identificada porque o assunto não é público.

Bolsonaro nomeou recentemente seu terceiro presidente-executivo da Petrobras depois de demitir os executivos anteriores devido à frustração com a insistência deles em aumentar os preços dos combustíveis em linha com os níveis globais em um momento em que a invasão russa da Ucrânia e as sanções subsequentes derrubaram o mercado de energia.

Albuquerque insistiu que a Petrobras não poderia manter os preços dos combustíveis estáveis ​​a menos que houvesse subsídios, aumentando a pressão dos assessores políticos de Bolsonaro para encontrar espaço no orçamento para pagar os subsídios de combustível e energia antes das eleições, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Sua decisão de sair ocorreu depois que ele não conseguiu resolver o problema do preço do combustível no Brasil sem afrontar os acionistas da Petrobras e interferir na política de preços da empresa, disse uma pessoa familiarizada com o assunto, pedindo para não ser identificada porque a informação não é pública.

Sachsida é contra subsídios para preços de combustíveis ou medidas como a criação de um fundo para suavizar a volatilidade dos preços. Sua nomeação foi vista como uma vitória para o ministro da Economia, Paulo Guedes, cujas visões estão alinhadas com as de Sachsida. Para a equipe econômica, a gigante petrolífera nacional poderia ser mais sensível socialmente ao transferir os aumentos dos preços do petróleo para os combustíveis no mercado interno.

Na semana passada, Bolsonaro dedicou parte de seu programa semanal no Facebook Live para criticar os lucros exorbitantes da Petrobras e pedir ao conselho que se abstenha de aumentar os preços dos combustíveis novamente. A inflação anual está acima de 12% e Bolsonaro fica atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todas as pesquisas de opinião, com questões econômicas em primeiro plano na mente dos eleitores. Lula prometeu mudar a atual política de preços dos combustíveis na Petrobras.

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