Economia

Bolsonaro poderá rever contratos de petróleo do pré-sal

O candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, poderia revisar o modelo de contratos de partilha de produção do país em seus cobiçados campos de petróleo, caso ele ganhe a eleição deste mês, informou o Valor, na segunda-feira.

O líder da votação antes do segundo turno de 28 de outubro também pode acabar com o financiamento externo do banco estatal de desenvolvimento BNDES, informou o Valor, citando fontes de campanha anônimas, enquanto Bolsonaro procura reformar as entidades estatais do país.

Defensora de longa data do controle estatal sobre importantes ativos estratégicos, como a estatal Petroleo Brasileiro SA e a Centrais Elétricas Brasileiras SA, a Bolsonaro mudou recentemente de posição, ficando mais alinhada aos principais consultores que favorecem a privatização de ativos.

Mas um grupo rival de assessores, formado por generais militares, instou Bolsonaro a manter o controle sobre a Petrobras e outros ativos que considera estratégicos, informou a Reuters na semana passada, abrindo uma divisão que pode decepcionar os investidores que arrebataram ações da Petrobras na esteira da crise. Vitória de Bolsonaro na primeira rodada.

A campanha de Bolsonaro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As ações da Petrobras subiram 2,2% no final da manhã.

Bolsonaro manteve uma ampla vantagem sobre seu rival esquerdista Fernando Haddad em uma segunda pesquisa eleitoral, que analisou as intenções dos eleitores para o segundo turno divulgado na segunda-feira. A pesquisa do Ibope mostrou que Bolsonaro tinha 59% de apoio aos eleitores, comparado aos 41% de Haddad.

O modelo de contrato de partilha de produção do Brasil para os campos de petróleo do pré-sal foi implementado pelo Partido dos Trabalhadores, que governou o Brasil por 13 dos últimos 15 anos, e tem sido responsabilizado por muitos por uma economia fraca e enxerto endêmico.

Reformado pelo governo de centro-direita de Michel Temer, que assumiu o cargo em 2016, depois que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment, o modelo de compartilhamento de produção foi bem sucedido nos últimos leilões, atraindo grandes petroleiras como a Exxon Mobil Corp, a Repsol SA e a Royal. Dutch Shell Plc e BP Plc.

O aumento dos preços do petróleo e a necessidade de substituir as reservas cada vez menores aumentaram o apetite dos grandes petroleiros por empreendimentos offshore mais caros, bombeando o tão necessário dinheiro para os cofres do Brasil.

O artigo do Valor não detalha como Bolsonaro ajustaria o modelo de compartilhamento de produção, mas citou fontes de campanha que disseram que o objetivo era atacar alguns dos abusos políticos perpetrados pelos governos anteriores.

Em Dilma, o governo brasileiro usou o BNDES para oferecer empréstimos a países como Venezuela, Cuba e Moçambique, que eles usariam para contratar firmas brasileiras.

O governo brasileiro, sob Dilma, havia concordado em atuar como garantidor dos empréstimos. Os fundos foram usados ​​pela Venezuela e por Moçambique para pagar obras realizadas por empresas brasileiras.

Em maio, o Brasil disse que continuaria a insistir que a Venezuela e Moçambique devolveriam quase 1 bilhão de reais (US $ 281,05 milhões) em empréstimos que não pagaram ao BNDES e ao suíço Credit Suisse.

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