Política

Bolsonaro lança candidatura à reeleição complicada por economia fraca

O presidente Jair Bolsonaro atacou as pesquisas recentes que o mostram atrás do esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva na corrida para as eleições de outubro, ao iniciar sua candidatura à reeleição no domingo.

“Uma pesquisa enganosa publicada mil vezes não transformará ninguém em Presidente da República”, disse ele a apoiadores durante evento promovido pelo Partido Liberal em Brasília, reformulando o discurso messiânico de 2018 que o levou ao poder.

O líder de direita, que busca um segundo mandato em meio a crescentes desafios econômicos que potencialmente determinarão o resultado das eleições deste ano, enquadrou o próximo segundo turno como uma luta contra um inimigo interno.

“Não é uma luta da esquerda contra a direita, mas do bem contra o mal”, disse o presidente no evento, que também contou com a afiliação do ministro da Cidadania, João Roma, e do ministro da Ciência, Marcos Pontes, ao partido.

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que Bolsonaro pode apontar como companheiro de chapa, deve se juntar ao partido em uma data posterior. De acordo com a lei brasileira, os candidatos à votação de outubro só serão considerados oficiais quando se registrarem nas autoridades eleitorais em agosto.

Bolsonaro foi eleito em 2018 em uma plataforma conservadora e anticorrupção que ressoou com os brasileiros indignados com uma série de escândalos de corrupção que assolam o governo de 13 anos do Partido dos Trabalhadores de esquerda. Mas os problemas econômicos voltaram à tona desde então: a inflação e o desemprego estão acima de 10% após a pandemia, a economia deve crescer apenas 0,5% este ano e a pobreza voltou aos níveis vistos pela última vez em 2010.

É uma situação econômica difícil que pesou na popularidade do presidente e aumentou as chances de seu principal adversário – Lula, ex-presidente e líder do Partido dos Trabalhadores, que muitos brasileiros associam a um período de bonança econômica amplamente apoiado por uma boom das commodities.

Lula, que estava atrás das grades e impossibilitado de concorrer às eleições de 2018, agora receberia 44% dos votos no primeiro turno, enquanto Bolsonaro ficaria com 26%, segundo pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta-feira. Ele derrotaria Bolsonaro com 54% dos votos em um segundo turno, apurou a mesma pesquisa.

No entanto, a liderança de Lula sobre Bolsonaro pode diminuir à medida que o titular lança um pacote de gastos sociais que injetará 165 bilhões de reais (US$ 34,8 bilhões) na economia, além de um programa de doações em dinheiro que ele está pagando desde o início do ano.

Até agora, Bolsonaro insistiu em uma retórica não muito diferente daquela que o elegeu há quatro anos, alertando os eleitores contra as ameaças de corrupção e comunismo que ele diz que Lula e o Partido dos Trabalhadores representam.

Embora isso ainda ressoe com seus apoiadores mais radicais, pouco faz para ganhar o apoio dos brasileiros pobres que mais sofreram durante a crise do Covid-19, ou das mulheres que, em sua maioria, desaprovam a maneira como o presidente lida com a pandemia e sua atitude muitas vezes sexista. observações.

Ele está tentando preencher essas lacunas considerando subsídios de combustível ou maiores doações em dinheiro para os pobres, enquanto tenta atrair eleitores do sexo feminino aparecendo em eventos públicos acompanhados pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Além da esposa, Bolsonaro também foi acompanhado no evento de domingo pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que tomou a palavra antes do discurso do presidente.

No entanto, é improvável que ele se afaste muito de sua plataforma original, de acordo com Deysi Cioccari, professora de ciência política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

“Ele provavelmente usará a mesma estratégia de 2018: falar sobre corrupção, comunismo, armas”, disse ela. “E funciona para ele.”

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