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Bolsonaro envia secretário especial para lidar com armas no Iraque

O almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, embarca nesta quarta-feira, 18, para viagem ao Iraque. Além do petróleo, a visita é de interesse comercial direto para a indústria nacional de defesa, que deseja ampliar a venda de equipamentos de guerra para aquele país. O governo de Jair Bolsonaro também está se movendo para fortalecer os laços entre empresas de armas pequenas e iraquianos.

O governo iraquiano tem procurado novos parceiros para aquisição de armas. No mercado internacional, é conhecida a vontade daquele país de equipar sua força policial com armas leves. Empresas como Taurus e CBC, a primeira fabricante de armas, a segunda de munições, podem ser credenciadas para esse mercado.

Além do Iraque, a missão chefiada pelo almirante Rocha passará pelo Marrocos, Egito, Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. A viagem começa nesta quarta-feira e vai até o dia 7 de junho. Ao final da turnê pelo Oriente Médio, a delegação brasileira visitará a Hungria e a República Tcheca, dois países com os quais o governo Bolsonaro mantém boas relações.

área econômica

A viagem é vista com reservas pelo departamento econômico do governo. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, gostaria que o governo desse prioridade neste momento aos contatos com os países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas o Planalto considera que a visita não teria implicações diplomáticas, já que boa parte dos países tem atualmente interesse em fazer negócios com o Iraque.

Atualmente, as importações brasileiras do Iraque estão restritas ao petróleo. As exportações estão concentradas em açúcar e aves, carne bovina e animais vivos. Na década de 1980, o Iraque era um dos principais compradores de veículos militares fabricados pela Engesa, como o Urutu e o Cascavel. O Brasil também comercializava foguetes Astros e ainda haveria lançadores brasileiros antigos que necessitam de modernização, além de veículos militares.

A possibilidade de o próprio presidente Jair Bolsonaro participar dessa visita chegou a ser discutida no Palácio do Planalto. Nesse caso, a viagem se transformaria em uma visita de Estado, e certamente haveria uma agenda com o primeiro-ministro iraquiano Mustafa al Kadhimi.

No final do ano passado, Bolsonaro planejou a visita a Bagdá, mas a ideia foi abortada, entre outros motivos, por falta de segurança. Às vésperas da missão brasileira, o primeiro-ministro foi alvo de um ataque de drone. Ele escapou do ataque em sua residência.

Na época, Bolsonaro estava fora do Brasil há quase uma semana. Ele percorreu o Oriente Médio em novembro e visitou Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. A divulgação do material bélico feito no Brasil foi um dos destaques da turnê pelos países árabes.

No Planalto, o contato próximo de Bolsonaro com líderes do Iraque e países em conflito é considerado diplomaticamente valioso por causa da presença do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ele esteve duas vezes em países árabes do Oriente Médio e uma vez em Israel.

Após uma aproximação ideológica na campanha de 2018, o presidente buscou equilibrar as relações com os árabes, por medo de retaliação comercial pelo reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, com a promessa nunca cumprida de transferir a embaixada brasileira, que permanece em Telavive. . Bolsonaro também avalia oportunidades de conhecer países como Kuwait, entre outros. Os países da região buscam o desenvolvimento agrícola e a diversificação de suas economias.

Parceiro histórico

O Iraque é considerado um parceiro histórico do Brasil e, no ano passado, o primeiro-ministro Kadhimi concordou com o presidente dos EUA, Joe Biden, em acabar com a participação de tropas norte-americanas em confrontos no país, onde lutam contra o Estado Islâmico. Presentes desde a invasão de 2003, quando o ditador Saddam Hussein foi derrubado, os militares norte-americanos, também parceiros das Forças Armadas no Brasil, continuarão prestando assistência e treinamento ao Exército iraquiano.

A maioria das agendas é sugerida pelo Departamento de Produtos de Defesa, do Ministério da Defesa, em discussão com o Departamento de Assuntos Estratégicos. Em uma estratégia comercial, o atual secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, será o próximo embaixador brasileiro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

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