Política

Bolsonaro embaralha o gabinete à medida que a pressão do COVID-19 aumenta

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fez seis mudanças de gabinete na segunda-feira na maior reforma ministerial desde que assumiu o cargo, à medida que aumenta a pressão sobre o líder de extrema direita por sua forma de lidar com a pandemia que matou mais de 300 mil no país.

Três ministros deixaram o governo, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, um falcão da China cuja saída se seguiu às crescentes críticas dos legisladores por sua falha em garantir suprimentos adicionais da vacina COVID-19 de Pequim e Washington.

Araujo estava sob pressão há semanas. Seus ataques verbais à China, aos ambientalistas e à esquerda foram cada vez mais vistos como distrações barulhentas, especialmente devido à mudança na liderança dos EUA e ao agravamento da crise de saúde no Brasil.

Bolsonaro aproveitou a perda de um de seus aliados mais leais para angariar apoio em seu gabinete, colocando seu chefe de gabinete no Ministério da Defesa e colocando um policial federal próximo de sua família no comando do Ministério da Justiça.

“Bolsonaro está sob enorme pressão e reagiu para retomar a narrativa política”, disse Creomar de Souza, fundador da Dharma Risco Político e Estratégia em Brasília. “A mudança no Ministério da Defesa foi completamente inesperada e criou muita confusão.”

A maior economia da América Latina está sofrendo sua pior fase da pandemia, com mortes chegando a 3.000 por dia, enquanto uma nova variante contagiosa assola o país. Bolsonaro ganhou notoriedade internacional por criticar os bloqueios, semear dúvidas sobre vacinas e promover curas “milagrosas” não comprovadas.

O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no total de casos e mortes de COVID-19.

Em meio ao crescente descontentamento com as mortes por coronavírus e o retorno do ex-presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva ao palco político – uma ameaça às esperanças de reeleição de Bolsonaro no ano que vem – o presidente está ansioso para obter apoio político e popular.

PARTIDAS INESPERADAS

Não houve notícias da saída do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, nem rumores de descontentamento. O presidente colocou atuais e ex-militares em todo o seu governo, o que causa preocupações de que a reputação dos militares possa ser prejudicada.

“Durante esse tempo, preservei as Forças Armadas como instituições do Estado”, escreveu Azevedo e Silva em nota do ministério. “Saio com a certeza de uma missão cumprida.”

Em seu lugar, Bolsonaro nomeou seu atual chefe de gabinete, Walter Souza Braga Netto, um dos vários ex-generais do Exército que haviam entrado na órbita interna do governo.

Outro ex-general, Luiz Eduardo Ramos, assumirá o cargo de chefe de gabinete, deixando seu cargo de gabinete que cuida das prioridades legislativas para Flávia Arruda, uma legisladora de primeiro mandato com ligações com os novos aliados de Bolsonaro no Congresso.

O procurador-geral cessante, Jose Levi Mello, cuja assinatura estava notavelmente ausente de um pedido do governo para que a Suprema Corte bloqueie medidas estaduais de permanência em casa durante a pandemia, disse em uma carta que renunciaria.

Bolsonaro o substituirá pelo atual ministro da Justiça, André Mendonça, cuja função vai para Anderson Gustavo Torres, policial federal atualmente encarregado da segurança pública do Distrito Federal, que inclui a capital, Brasília.

Carlos Alberto Franco França, diplomata próximo a Bolsonaro, foi eleito o novo chanceler, segundo nota da assessoria de imprensa da presidência sobre as mudanças.

Na semana passada, Bolsonaro substituiu o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, um general da ativa que supervisionou a maior parte da resposta ao coronavírus. Ele foi amplamente responsabilizado por um programa de vacinas fragmentadas que administrou a primeira dose a menos de 10% dos adultos.

O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse aos legisladores na segunda-feira que estava esperançoso de conseguir suprimentos de vacinas dos EUA e que se reuniria com o embaixador dos EUA em um esforço para garantir a entrega antecipada de 20 milhões de doses. 

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