Política

Bolsonaro despede ministro da Defesa

Em uma ação recebida com surpresa por muitos na capital do Brasil, inclusive nas Forças Armadas, o ministro da Defesa do Brasil anunciou segunda-feira que está deixando o cargo, no mesmo dia em que o chanceler do país anunciou sua saída.

O motivo da ação de Fernando Azevedo e Silva pode estar relacionado à sua recusa em alinhar as Forças Armadas com as posições do presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia do coronavírus, informou a mídia local. Amigo próximo de Bolsonaro, o general foi demitido pelo presidente, dizem os relatórios. Sua renúncia foi anunciada em nota oficial divulgada por seu gabinete.

“Deixo [o cargo] com a certeza de uma missão cumprida”, escreveu ele.

A crise entre a ala ideológica de Bolsonaro e as Forças Armadas foi agravada pelos erros e constrangimentos do general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. De acordo com um importante jornal, a tensão atingiu seu pico quando Bolsonaro disse que “meu exército” não iria às ruas “para forçar as pessoas a ficarem em casa”.

O jornal informou que ele pode ter pedido a saída de Azevedo e Silva após a publicação de uma entrevista com o general Paulo Sérgio, responsável pela divisão de saúde do Exército. Na entrevista, Sergio apontou a possibilidade de uma terceira onda de COVID-19 no país nos próximos meses e defendeu bloqueios, isolamento social, trabalho em casa, máscaras e vacinas. Bolsonaro é um crítico ferrenho de tais medidas.

Também podem renunciar o comandante do Exército, general Edson Pujol, o comandante da Marinha Almirante Ilques Barbosa Junior e o comandante da Aeronáutica Brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez. Os três se reuniram para tomar posição conjunta, segundo a imprensa. Segundo aliados próximos ao presidente, Bolsonaro deve escolher seus substitutos até o fim do dia.

Com a saída de Azevedo e Silva, o atual secretário de Governo Luiz Eduardo Ramos deve ser nomeado chefe da Casa Civil. O cargo de secretário de governo, responsável pela articulação política, deve ser entregue a um deputado do Centro, coalizão partidária do Congresso e integrante da base aliada do presidente no Congresso. O nome ainda não foi anunciado, no entanto.

Azevedo e Silva se tornou o 13º ministro de Bolsonaro a deixar o governo. O caso mais recente foi o de Ernesto Araujo, que renunciou ao Itamaraty por pressão do Congresso. Antes dele, Eduardo Pazuello foi o terceiro ministro da Saúde a perder o cargo durante a pandemia. Abraham Weintraub deixou o cargo de ministro da Educação depois de dizer que todos os juízes da Suprema Corte deveriam ser presos. Ele enfrenta uma investigação.

Um dos casos de maior impacto para o governo foi a saída do então ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, recentemente considerado tendencioso na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quando Moro saiu, sugeriu que Bolsonaro estaria tentando interferir com a Polícia Federal, que está sob o comando do ministério que Moro chefia, em benefício de sua própria família. As acusações de Moro estão sendo investigadas.

Em sua nota, Azevedo e Silva, que é um dos aliados mais próximos do Bolsonaro, agradeceu ao agora ex-chefe e disse ter dedicado “total lealdade ao longo desses mais de dois anos” ao presidente.

Azevedo e Silva foi escolhido pelo líder da extrema direita do Brasil em 2018, ainda em período de transição para o atual governo.

“Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições do Estado”, disse o general. Também estendeu seu “reconhecimento e gratidão” aos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica “e suas respectivas Forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira”.

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