Economia

BNDES investirá até R$ 2,5 bilhões em fundos de infraestrutura

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investirá até R$ 2,5 bilhões em fundos de infraestrutura, que serão selecionados por meio de processo competitivo. O banco estatal abre nesta segunda-feira uma chamada de propostas para escolher até cinco fundos. Para cada um deles serão destinados, no máximo, R$ 500 milhões. O banco espera, no entanto, sacar pelo menos R$ 5 bilhões a mais do setor privado por meio do esforço.

As gestoras de recursos interessadas em receber os recursos terão até o dia 4 de março para apresentar suas propostas. A escolha será feita pelo banco, que avaliará a tese de investimento do fundo, governança e custos, bem como o gestor e a equipe envolvida. A seleção deve ser concluída até o primeiro semestre deste ano.

Bruno Laskowsky — Foto: Silvia Costanti Valor

Bruno Laskowsky — Foto: Silvia Costanti Valor

É um novo mecanismo de investimento do banco. “O objetivo central do BNDES é ampliar seus instrumentos de atuação em infraestrutura. Já temos investimentos diretos, financiamentos e agora queremos alocar recursos por meio de fundos”, disse Bruno Laskowsky, chefe de participação acionária, mercado de capitais e crédito indireto do BNDES.

O plano é impulsionar tanto os fundos de dívida, destinados a financiar projetos e empresas, quanto os fundos de ações, que investirão diretamente no capital dos negócios. Dos cinco escolhidos, até dois serão fundos de dívida e três fundos de ações.

O BNDES priorizará investimentos em saneamento básico e mobilidade urbana, segmentos de maior impacto social. Também há preferência por recursos de investidores institucionais (que administram dinheiro de terceiros) e com critérios de mensuração de impacto socioambiental.

O Sr. Laskowsky destaca dois outros focos buscados pelo BNDES. A primeira são as operações de “project finance”, ou seja, em que o projeto é capaz de se “autofinanciar”, dando como garantia seu fluxo de caixa. “Queremos privilegiar a assunção de risco do projeto, e não necessariamente o risco do fiador maior.”

O segundo objetivo é alongar o prazo dos empréstimos. “Buscamos estruturas que acompanhem o timing de longo prazo dos projetos de infraestrutura, que é mais de 15, 20 anos, enquanto o prazo dos empréstimos bancários em geral é de 7, 8 anos”, disse.

Para isso, a ideia é que os fundos sejam fechados, com prazo mínimo de oito anos, e até 15 anos (fundos de ações) e 20 anos (fundos de dívida), disse Filipe Borsato, chefe de investimentos de fundos do BNDES. “A ideia é, no curto prazo, atender essas empresas e projetos beneficiados, mas também, no longo prazo, trazer investidores institucionais para o país e dar-lhes mais segurança para colocar recursos em projetos de infraestrutura no Brasil”, disse. .

A ideia é que o BNDES seja um “relevante acionista minoritário” desses fundos, e que a decisão de alocação – ou seja, quais projetos ou empresas receberão os investimentos – seja feita pelo gestor privado, destacam os executivos.

“A escolha de projetos específicos será feita por gestores do setor privado, não pelo BNDES. Normalmente, o prazo para a destinação dos recursos é de três a seis anos, de modo que os projetos beneficiados serão estruturados e selecionados nos próximos anos. Não é algo pensado para os projetos de 2022”, disse Borsato.

Por essa razão, o fato de o processo ocorrer em ano eleitoral não será um problema, e possíveis mudanças na direção do banco não são uma preocupação, disse Laskowsky.

“Estamos falando de projetos de 15, 20 anos. Isso vai além de qualquer administração. E o país tem uma enorme lacuna em infraestrutura. A matemática feita quando se pensa em investimentos é: há pessoas preparadas para executar as obras, há bons estruturadores de projetos, há financiamento e há demanda. Esses fatores não são triviais. A estabilidade ajuda muito, claro, mas o tema central aqui não é a volatilidade eleitoral”, disse.

Quanto ao BNDESPar, a mudança faz parte de seu processo de “reciclagem de capital”, disse Laskowsky. Desde 2019, o braço de ações do banco de desenvolvimento tem alienado suas ações em empresas como o frigorífico JBS, a fabricante de papel e celulose Klabin e a gigante da mineração Vale, entre outras. A ideia, disse o executivo, é reconstruir o portfólio tendo como diretrizes inovação, impacto ambiental e social.

O investimento em fundos de infraestrutura será uma primeira experiência nesse modelo de investimento, que poderá ser estendido a outras áreas de atuação do BNDES. “Esta é a primeira chamada. Vamos entender como será o processo. Mas uma possibilidade é dar uma orientação, que pode ser anual, semestral ou trienal, e o banco fará ligações subsequentes em diferentes setores estratégicos, não apenas de infraestrutura”, disse.

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