Economia

Banco central eleva juros em 100 bps, e sinaliza o mesmo em maio

O Banco Central do Brasil elevou as taxas de juros nesta quarta-feira em 100 pontos-base e sinalizou outro aumento do mesmo tamanho em maio, ao estender um ciclo de aperto agressivo para conter os efeitos de segunda rodada dos choques de oferta da guerra na Ucrânia.

O comitê de fixação de taxas do banco, conhecido como Copom, votou por unanimidade para aumentar sua taxa básica de juros para 11,75%. A maioria dos economistas consultados pela Reuters esperava o movimento, embora seis dos 28 entrevistados previssem um aumento maior.

Os formuladores de políticas elevaram as taxas em 150 pontos-base em fevereiro, dizendo na época que aumentos menores estavam chegando.

O aumento da taxa de quarta-feira foi o nono aumento consecutivo desde que o banco central do Brasil elevou a taxa Selic de uma baixa histórica de 2% em março de 2021, elevando os custos de empréstimos para controlar a inflação que atingiu 10,5% nos 12 meses até fevereiro.

Isso está muito acima da meta de 3,5% do banco central para 2022, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual de cada lado.

A invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções resultantes desencadearam choques globais de oferta de commodities-chave, elevando os custos de alimentos e energia e arrastando uma lenta recuperação na maior economia da América Latina.

“O Copom julga que o momento exige serenidade para avaliar o tamanho e a duração dos choques atuais”, escreveram os formuladores de políticas em comunicado que acompanha a decisão.

“Se esses choques se mostrarem mais persistentes ou maiores do que o previsto, o Comitê estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário.”

Em resposta ao aumento dos preços globais do petróleo, a estatal brasileira Petrobras aumentou os preços da gasolina e do diesel na semana passada em 19% e 25%, respectivamente, um movimento com amplas consequências em uma economia que depende fortemente do frete rodoviário.

O presidente Jair Bolsonaro também abraçou propostas para subsidiar o consumo de combustível e estimular uma economia lenta, levantando preocupações sobre a diminuição da disciplina fiscal antes das eleições de outubro.

Voltar ao Topo