Energia

Aumento da energia renovável pode criar obstáculos

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O crescimento substancial da geração de energia renovável no Norte e Nordeste do Brasil, principalmente de fontes solar e eólica, pode criar gargalos no fluxo de energia para outras regiões. O descompasso entre os novos projetos de geração e transmissão on-line revela como o delineamento dos planos para o setor elétrico é cada vez mais complexo em meio ao impulso de transição energética e à busca por fontes mais verdes.

O ONS, operador nacional da rede elétrica, afirma que o grande desafio para viabilizar o aproveitamento de todo o potencial da região Nordeste é o descompasso entre os prazos dos projetos de geração e transmissão. Enquanto a instalação de linhas de transmissão normalmente leva sete anos, os parques solares e eólicos precisam de apenas dois anos.

A falta de sincronia entre os novos projetos de transmissão e geração pode levar a um excedente de potência de 5,5 GW no Norte e Nordeste até 2026, alertou o ONS no plano de médio prazo da operação elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) divulgado esta semana.

Luiz Barroso, presidente da consultoria PSR e ex-chefe da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), disse que a questão reflete as mudanças pelas quais o setor passou nos últimos anos. Os projetos de transmissão costumavam entrar em operação mais rapidamente do que as usinas hidrelétricas e termelétricas. Agora que a energia renovável conquistou uma participação cada vez maior no mix de geração, o oposto é verdadeiro.

“Hoje é preciso planejar a transmissão com maior incerteza sobre a geração. A interface entre os projetos ficou mais complexa, devido à incerteza na localização das novas usinas e à maior agilidade na implantação dos empreendimentos, bem como às dificuldades de obtenção de licenças ambientais para projetos de transmissão ”, disse.

Para ele, o cenário exigirá mais proatividade dos órgãos de planejamento para apontar os projetos de transmissão que serão leiloados nos próximos anos, bem como uma ação efetiva da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para garantir a entrada em operação dentro dos prazos.

Segundo Barroso, já existe um esforço em curso na EPE para aprimorar as metodologias de planejamento, considerando a maior complexidade do setor. Ele lembrou que o Brasil é um dos países mais atraentes para investimentos nesse segmento. Dados da ANEEL indicam que os projetos de transmissão leiloados entre 1999 e 2021 somam R $ 275,2 bilhões em investimentos, com valores atualizados pela inflação.

“É importante não só construir a infraestrutura de transmissão, mas sim nos lugares certos, onde as linhas agregam valor. A falta de transmissão pode impedir o desenvolvimento de projetos renováveis ​​em áreas que poderiam ter valor para o sistema ”, disse o Sr. Barroso.

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