Economia

As barragens de mineração da Vale ainda são um risco, a empresa deve fazer mais, diz promotor

Apesar de dois grandes desastres de mineração fatais desde 2015, a mineradora brasileira de minério de ferro Vale S.A não cumpriu uma série de compromissos assinados com as autoridades para prevenir um terceiro desastre, disse o promotor federal Edison Vitorelli.

Vinte e nove barragens que a Vale usa para armazenar resíduos de mineração ainda apresentam elevados riscos de segurança, segundo Vitorelli, que faz parte de uma força-tarefa de cerca de duas dezenas de promotores federais e estaduais que pressionaram a empresa após o último desastre que matou 270 pessoas em janeiro de 2019.

Algumas das minas ligadas às barragens que a equipe de Vitorelli considera inseguras são vitais para os planos da Vale de recuperar a produção perdida de minério de ferro e aumentar a capacidade para 450 milhões de toneladas por ano, patamar que a tornaria mais uma vez a maior produtora mundial do aço -fazer matéria-prima.

Em duas entrevistas na semana passada, Vitorelli disse que a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, falhou repetidamente em cumprir os compromissos de melhorar a segurança feitos após o rompimento de uma barragem no ano passado perto da cidade de Brumadinho, no estado de Minas Gerais.

A Vale negou as acusações, a empresa disse que tem reuniões regulares com o Ministério Público e auditores, aborda prontamente os possíveis riscos e está em dia para cumprir todos os seus compromissos.

A força-tarefa solicitou no início deste mês que os principais executivos da Vale responsáveis ​​pelas operações de segurança fossem removidos e um especialista externo fosse trazido para renovar a estratégia e a cultura da empresa em relação à segurança, um juiz deve se pronunciar sobre o pedido no início de outubro.

A força-tarefa do promotor, disse Vitorelli, ainda considera a abordagem de segurança da Vale falha, os promotores estaduais e federais disseram que, em sua opinião, a empresa não toma medidas preventivas, não divulga questões de segurança de forma proativa, esperando ser pressionada por auditores externos e autoridades antes de agir.

Eles listaram, em seu pedido ao juiz, o que consideraram como repetidas falhas da Vale para melhorar a segurança em suas barragens de rejeitos.

Suas preocupações surgem no topo de um relatório separado de um especialista das Nações Unidas na quarta-feira (16), que disse que os projetos de restauração da Vale após o desastre da barragem em 2015 estão atrasados.

A Vale disse ter ampla documentação para comprovar o cumprimento dos compromissos assumidos com o Ministério Público que apresentará ao tribunal.

“Não falta tempo ou dinheiro para atender aos requisitos. Já se passaram cinco anos desde o primeiro desastre, o problema é a cultura da empresa ”, disse Vitorelli.

“Se esses eventos fossem isolados, mas não são. Todas as 29 barragens são problemáticas e a Vale vem desobedecendo aos acordos até hoje ”, acrescentou.

Na terça-feira (15), a mineradora brasileira disse que planeja aumentar a capacidade de produção para 400 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até 2022, ante 318 milhões hoje.

Desse total, a Vale disse que espera que 54 milhões de toneladas de capacidade anual venham do estado de Minas Gerais, onde aconteceram os dois desastres de mineração, ações futuras dos promotores podem colocar em risco parte desse aumento de produção.

A força-tarefa diz que a resposta da Vale às seis barragens ao redor de suas minas em Fabrica, Vargem Grande e Itabira são de alto risco e que a resposta da empresa para melhorar a segurança tem sido inadequada.

Por exemplo, durante uma inspeção de rotina do Ministério Público em julho de 2019 em Itabira, auditores notaram rachaduras na barragem de Itabiruçu, uma das rachaduras, disseram eles em um relatório escrito, tinha 1,87 metros (6,1 pés) de profundidade, a estabilidade da barragem, além disso, estava sendo monitorada com equipamentos que produziam dados imprecisos ou apresentavam atraso.

A mineradora, em resposta a essa alegação, investiu 34 milhões de reais (US $ 6,33 milhões) em novos equipamentos de inspeção, de acordo com o Ministério Público, três meses após a visita, aumentou o nível de segurança da barragem e reduziu os níveis de produção, de acordo com um comunicado anterior da empresa.

Mais recentemente, os auditores externos repreenderam a empresa sobre as barragens que armazenam resíduos de mineração do complexo da Fabrica.

A força-tarefa disse que a empresa não conseguiu substituir uma câmera de vídeo que monitora a segurança, que teria sido roubada da Forquilha III, deixando a barragem sem o devido monitoramento desde 27 de julho.

A Vale contesta a alegação e diz que a barragem nunca foi deixada sem monitoramento.

“A empresa aguarda denúncias externas antes de reagir, e isso é sistêmico”, disse o promotor.

Voltar ao Topo