Economia

Ações da Petrobras caem após saída de CEO e problemas com preço de combustível

As ações da estatal brasileira de petróleo Petrobras despencaram nesta terça-feira depois que o governo demitiu seu presidente-executivo pela segunda vez em dois meses e sinalizou planos para alterar a política de preços de combustível da empresa com base no mercado.

O presidente Jair Bolsonaro criticou uma série de aumentos de preços de combustíveis pela Petrobras, formalmente conhecida como Petróleo Brasileiro SA, que acompanharam um aumento nos custos globais de energia e aumentaram a inflação de dois dígitos no Brasil.

Embora a empresa tenha limitado a interferência política durante grande parte do mandato de Bolsonaro, seu governo adotou uma postura muito mais agressiva sobre os preços dos combustíveis à medida que a guerra na Ucrânia se arrasta e as eleições presidenciais de outubro no Brasil se aproximam.

As ações preferenciais da empresa caíram 4,7% em São Paulo nas negociações da tarde, muito pior do que uma queda de 1,2% para o índice de ações Bovespa.

O chefe de gabinete de Bolsonaro, Ciro Nogueira, disse nesta terça-feira que o presidente está “angustiado” com o aumento dos preços dos combustíveis e que a política de preços da empresa agora deve estar alinhada com as opiniões de um novo ministro da Energia, que assumiu este mês.

Vários analistas duvidaram que a nova gestão da Petrobras fosse capaz de alterar substancialmente a forma como a empresa precifica os combustíveis no mercado interno, dada a aproximação das eleições e o risco de desabastecimento se os preços se desvincularem ainda mais dos mercados globais.

No entanto, o aumento da interferência do governo nos assuntos da Petrobras é um aspecto negativo significativo do ponto de vista da governança corporativa, alertaram analistas do Credit Suisse e do UBS aos clientes.

Na noite de segunda-feira, o governo anunciou que estava trocando o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, pelo funcionário do Ministério da Economia, Caio Mario Paes de Andrade.

De acordo com os estatutos da empresa, tal movimento desencadeia uma assembleia extraordinária de acionistas, na qual vários membros do conselho também podem ser trocados.

Há duas semanas, Bolsonaro substituiu seu ministro da Energia após uma série de aumentos nos preços dos combustíveis pela Petrobras, nomeando outro alto funcionário do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, para esse cargo.

“A política de preços da Petrobras precisa estar alinhada com o novo ministro”, disse Nogueira em entrevista à TV, acrescentando que o ex-presidente José Mauro Coelho estava mais alinhado com o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.

Na semana passada, a administração da Petrobras ainda estava alertando o governo sobre a escassez de diesel este ano se os preços domésticos não acompanharem os mercados globais, segundo quatro fontes e uma apresentação interna vista pela Reuters.

Voltar ao Topo