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Acionistas da Petrobras pavimentam caminho para novo CEO em reunião confusa

Acionistas da Petrobras votaram nesta segunda-feira para destituir Roberto Castello Branco como CEO, e elegeram seu sucessor escolhido pelo governo para o conselho de administração, mas o descontentamento entre alguns investidores ameaça arrastar o processo de transição.

A demissão de Castello Branco, embora amplamente esperada, é um passo importante no plano do governo de colocar Joaquim Silva e Luna, um general aposentado do exército que não tem experiência em petróleo e gás, no comando do produtor de petróleo controlado pelo Estado.

Os acionistas também elegeram oito pessoas para o conselho de administração, uma das quais representará acionistas não governamentais. O conselho rejigged tem sete membros representando o governo – acionista majoritário da empresa -, três representando investidores de mercado e um representando os trabalhadores da Petrobras, mesma configuração do conselho anterior da companhia.

Três membros não foram à reeleição e foram automaticamente retidos, elevando o número total de conselheiros para 11.

Castello Branco tornou-se CEO em janeiro de 2019 e atraiu auditorias de mercado para a venda de bilhões de dólares de ativos não essenciais e aguçar o foco da Petrobras na produção de petróleo em águas profundas.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro disse em fevereiro que estava destituindo o executivo da Universidade de Chicago em meio a uma disputa sobre os preços dos combustíveis. Castello Branco permaneceu no cargo até a tarde de segunda-feira.

Bolsonaro escolheu Luna para assumir o comando da Petroleo Brasileiro SA, como a empresa é formalmente conhecida. O soldado de carreira será eleito chefe executivo pela nova diretoria.

Em depósito de valores mobiliários divulgado após a reunião, a Petrobras informou que o presidente do Conselho, Eduardo Leal Ferreira, nomeou Carlos Alberto Pereira de Oliveira, chefe da divisão de upstream da companhia, como diretor-presidente interino até que a nomeação de Luna seja formalizada.

Complicações

A noite não foi sem drama.

No início do processo, Marcelo Gasparino, que foi eleito para o conselho como representante não governamental no final da noite, pediu que a reunião fosse adiada devido a supostas inconsistências nas contagens preliminares separadas publicadas pela empresa antes da reunião.

Em um post no LinkedIn, ele disse que, se fosse eleito, mais tarde renunciaria, um movimento que poderia provocar outra reunião de acionistas sob a lei brasileira de valores mobiliários, iniciando efetivamente o processo eleitoral do conselho do zero.

As regras que regem as assembleias de acionistas no Brasil podem ser bizantinas, mesmo quando realizadas presencialmente. Vários grupos de investidores reclamaram das regras complicadas que regem a assembleia de acionistas da Petrobras.

A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na noite de segunda-feira.

Em seu cargo, Gasparino, o recém-eleito membro do conselho, disse que não renunciaria até que o conselho elegesse um novo CEO, o que significa que a nomeação formal de Luna para o cargo principal ainda é provável que aconteça de forma rápida.

Além disso, um dos conselheiros nomeados pelo governo, Marcio Weber, foi eleito mesmo após um comitê da Petrobras recomendar na sexta-feira que ele não fosse dado um lugar no conselho por motivos de conflito de interesses, já que era executivo até 2020 de uma empresa que prestava serviços à Petrobras.

Não foi possível contatar Weber na segunda à noite.

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