Economia

A inflação seria o gatilho para a alta da taxa de juros no Brasil, e não para o rompimento do teto de gastos, disse o Chefe do Banco Central

Presidente do Banco Central irá analisar atividade econômica

O presidente do Banco Central brasileiro, Roberto Campos Neto, disse na quarta-feira (07), que qualquer gatilho para taxas de juros mais altas estaria vinculado à inflação, e não a uma violação da regra de limite de gastos do governo.

Em um evento promovido pelo JP Morgan na semana passada, Campos Neto disse que o banco retiraria sua promessa de “orientação futura” de não aumentar as taxas se o teto de gastos for violado, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, transmitida na quarta-feira (07), Campos Neto disse que gostaria de enfatizar que o banco abandonaria a orientação para frente caso as principais regras fiscais do governo fossem quebradas.

“Foi interpretado de alguma forma como se o banco central dissesse que aumentaria os juros, e não foi isso”, disse Campos Neto, alertando, no entanto, que a derrapagem fiscal pode alimentar as expectativas de inflação.

“Se houver um colapso ou acharmos que algum tipo de contabilidade criativa piorará o perfil da dívida de longo prazo, nossa reação inicial é retirar esse instrumento (guidance para a frente) que prevê taxas mais baixas por mais tempo”, disse.

Os mercados brasileiros ficaram sob pressão nas últimas semanas devido à crescente incerteza e confusão sobre como o governo planeja financiar seu novo programa de bem-estar ‘Renda Cidadã’ sem quebrar a regra de ‘teto de gastos’ que limita o crescimento do gasto público à taxa de inflação.

O novo programa deve substituir o atual esquema popular do Bolsa Família no início do próximo ano, mas será mais caro.

A taxa Selic de referência do banco central é uma baixa recorde de 2,00%.

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